SAÚDE

O que acontece com a respiração após os 60 anos e por que o inverno exige mais cuidados

Com a proximidade do inverno, especialista alerta para os riscos do envelhecimento pulmonar e das doenças respiratórias na terceira idade.

Publicado em 22/06/2026 às 09:04

A chegada do inverno acende um alerta para a saúde da população idosa. Embora Maceió não enfrente temperaturas extremas, o período é marcado pelo aumento da circulação de vírus respiratórios, favorecendo casos de gripe, pneumonia e outras infecções que podem trazer consequências mais graves para pessoas acima dos 60 anos.

O que muitos não sabem é que os pulmões também envelhecem. Com o avanço da idade, ocorrem mudanças naturais no sistema respiratório que reduzem a capacidade do organismo de reagir a doenças e infecções.

Segundo o pneumologista e professor da Afya Maceió, Tadeu Lopes, o envelhecimento provoca alterações como redução da elasticidade pulmonar, diminuição da força dos músculos respiratórios, menor capacidade de eliminar secreções e perda gradual da eficiência dos mecanismos naturais de defesa das vias aéreas. "Após os 60 anos ocorre uma redução natural da reserva respiratória. Um idoso pode descompensar mais rapidamente diante de uma gripe ou pneumonia do que um adulto jovem", explica.

Entre as alterações mais importantes estão a diminuição da capacidade pulmonar, o aumento do volume de ar residual dentro dos pulmões e uma menor capacidade do organismo de reagir à redução dos níveis de oxigênio no sangue. Isso faz com que os idosos tenham menos reserva para enfrentar doenças agudas.

Além das questões respiratórias, infecções também podem afetar diretamente o sistema cardiovascular. Durante esses quadros, o organismo passa por um processo de inflamação intensa, aumentando a frequência cardíaca e a demanda de oxigênio. "Uma gripe ou pneumonia pode precipitar eventos graves como infarto agudo do miocárdio, insuficiência cardíaca descompensada, arritmias e até acidente vascular cerebral", alerta o especialista.

O médico destaca ainda que muitos pacientes e familiares associam o aumento dos casos respiratórios apenas ao frio. No entanto, outros fatores ajudam a explicar o fenômeno, como a maior circulação de vírus, ambientes fechados e climatizados, além da queda natural da imunidade relacionada ao envelhecimento.

“Mesmo em cidades de clima quente como Maceió, observamos aumento sazonal de infecções respiratórias nessa época do ano", afirma.
Outro ponto de atenção são os sinais de alerta que exigem avaliação médica imediata. Falta de ar, dor no peito, febre persistente, chiado intenso, lábios arroxeados e piora importante do estado geral estão entre os sintomas que merecem atenção.

“Nos idosos, às vezes a pneumonia se manifesta mais por fraqueza, sonolência e confusão mental do que por febre alta",ressalta Tadeu Lopes.

Vacinação


A vacinação continua sendo uma das principais estratégias para reduzir complicações. Além de proteger contra infecções respiratórias, estudos demonstram benefícios importantes para a saúde cardiovascular.

"Vacinar-se não protege apenas os pulmões, mas também o coração. Ao reduzir o risco de infecção, diminui-se a inflamação sistêmica, a sobrecarga cardíaca e o risco de infarto, AVC e internações por insuficiência cardíaca", destaca.

Para atravessar o inverno com mais segurança, o especialista recomenda manter a vacinação em dia, praticar atividade física regularmente, ter uma alimentação equilibrada, controlar doenças crônicas, manter boa hidratação e procurar assistência médica precocemente diante de sintomas persistentes.

"Infecções aparentemente simples podem ter consequências importantes nessa faixa etária. Vacinação, acompanhamento das doenças crônicas e atenção aos sinais de alerta continuam sendo as medidas mais eficazes para reduzir complicações", conclui.