La Espriella é apontado vencedor em disputa apertada na Colômbia
Candidato de direita teve 49,66% dos votos, contra 48,7% de Iván Cepeda, segundo apuração preliminar de quase todas as urnas
O candidato de direita colombiano Abelardo De La Espriella conquistou uma vitória apertada nas eleições presidenciais deste domingo (21), conforme a contagem preliminar dos votos. A campanha foi marcada pela promessa de combate ao crime e de fortalecimento da economia, com apoio declarado do presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump.
De acordo com a apuração do Registro Civil Nacional, com pouco menos de 100% dos votos contabilizados no segundo turno, La Espriella registrava 49,66% dos votos. O senador Iván Cepeda aparecia com 48,7%, cerca de 250 mil votos atrás do adversário.
Notícias relacionadas:
Colômbia escolhe futuro presidente entre esquerda e direita pró Trump.
Colômbia: Petro não reconhece resultado eleitoral preliminar.
De La Espriella e esquerdista Cepeda farão segundo turno na Colômbia.
Cepeda, de 63 anos, havia defendido a continuidade das políticas do presidente Gustavo Petro, ex-rebelde e primeiro presidente de esquerda do país. Entre as propostas estavam o pagamento de aposentadorias estatais para pessoas pobres, reformas trabalhistas apoiadas por sindicatos, uma moratória sobre novos projetos de petróleo e a manutenção das negociações de paz com grupos armados.
La Espriella atribuiu a Petro os problemas econômicos e de segurança da Colômbia, incluindo a expansão de grupos armados. Ele prometeu encerrar negociações com rebeldes e grupos criminosos, impulsionar o setor de petróleo e gás, reduzir impostos e diminuir o tamanho do Estado em até 40%. O candidato afirmou, porém, que manterá o aumento de 23% do salário mínimo promovido por Petro, além de outras medidas sociais populares.
“Governarei para todos os colombianos, tanto para aqueles que votaram em mim quanto para aqueles que escolheram o outro candidato”, disse La Espriella a apoiadores reunidos na cidade litorânea de Barranquilla. Ele também prometeu respeitar os direitos de todos os cidadãos.
Antes do discurso, La Espriella comemorou uma ligação do presidente dos EUA, Donald Trump, que já havia declarado apoio à sua candidatura. O colombiano também tem cidadania norte-americana e italiana, além de residências em vários países.
“É uma vitória para a Colômbia — uma mudança após quatro anos perdidos, sem um rumo claro”, declarou Viviana Olivos, engenheira mecânica de 46 anos que participou da comemoração.
Congresso
Com menos de um ponto percentual de diferença entre os dois candidatos, o resultado apertado deve pressionar La Espriella a moderar parte de suas propostas para buscar apoio em um Congresso dividido. O partido Pacto Histórico, de Cepeda, possui mais cadeiras do que qualquer outra legenda no Senado e na Câmara, embora nenhuma sigla tenha maioria.
La Espriella, advogado sem experiência política anterior, também terá de lidar com a elevada dívida pública. Ele se apresentou como empresário, mas uma investigação do veículo local La Silla Vacia apontou que muitos de seus negócios foram dissolvidos, estão endividados e registraram prejuízo geral em 2024. Segundo o texto original, seu escritório de advocacia foi o empreendimento mais lucrativo.
As principais associações empresariais, entre elas a Câmara de Comércio Colombo-Americana, a associação de mineração e a associação bancária, divulgaram comunicados parabenizando La Espriella pela vitória. Em bairros de classe alta e média de Bogotá e Medellín, apoiadores comemoraram com bandeiras, buzinaços e fogos de artifício.
Mais de 26,3 milhões de colombianos votaram, de um total de 41,4 milhões de eleitores aptos. Conforme dados da autoridade eleitoral, cerca de 427 mil pessoas entregaram cédulas em branco, gesto geralmente interpretado como voto de protesto.
Em evento em Bogotá, Cepeda disse a seus apoiadores que aguardará uma verificação final, cédula por cédula, da contagem inicial. Ele afirmou que sua campanha contesta os resultados de cerca de 33 mil urnas, de um total de 122 mil. O senador acrescentou que seus apoiadores representam uma força política significativa e devem participar das negociações.
“Estamos abertos ao diálogo; estamos dispostos a chegar a acordos, desde que sejam respeitosos, genuínos e refletidos em ações políticas que beneficiem a nação e preservem o progresso histórico que já alcançamos”, disse Cepeda.