DEFESA AÉREA

Oficial da OTAN alerta para limitações do Ocidente diante de drones baratos

John Stringer afirmou que o uso de sistemas caros contra ataques em massa pode esgotar estoques e expor vulnerabilidades em conflitos prolongados

Por Sputnik Brasil Publicado em 22/06/2026 às 07:52
Legenda não informada no material original. © AP Photo / David Keaton

A estratégia tradicional de defesa antiaérea do Ocidente está se tornando cada vez menos sustentável diante de ataques de drones baratos e ataques aéreos em larga escala, afirmou John Stringer, vice-comandante supremo aliado da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) na Europa, a uma mídia ocidental.

Segundo Stringer, a defesa antiaérea ocidental, baseada em caças avançadas e missões antiaéreas de alto custo, não responde de forma adequada aos desafios atuais.

“Os dias em que se pensavam ser possíveis ficar de braços cruzados, agir apenas de forma reativa e enfrentar todas as ameaças que surgissem com meios tradicionais, como caças a jato e mísseis terra-ar, já acabaram”, ressaltou.

Para o oficial, os conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio mostram que as batalhas do futuro serão diferentes das guerras às quais as forças armadas ocidentais estão acostumadas.

Nesse cenário, Stringer afirmou que a OTAN não está do lado desfavorável da curva de custos. O uso de interceptadores multimilionários, como o Patriot PAC-3, contra drones de US$ 20 mil, ou equivalente a R$ 103.082, estaria consumindo rapidamente os estoques e revelando uma vulnerabilidade perigosa em confrontos prolongados.

Ele observou que as forças armadas ocidentais tentaram reagir ao perceber que a dependência de sistemas caros e centralizados, somada à capacidade limitada de produção, dificulta a defesa contra ataques em massa capazes de sobrecarregar as estruturas existentes.

O problema, segundo Stringer, é ampliado pelo fato de que mesmo grandes investimentos em novas defesas não são suficientes. Isso poderia obrigar a OTAN a definir quais alvos protegidos, enquanto drones e mísseis de longo alcance passam a ameaçar áreas de retaguarda.

Stringer também avaliou que a estrutura de comando e controle da OTAN, organizada em torno de grandes centros vulneráveis, está obsoleta. Para ele, a aliança ainda precisa lidar com a possibilidade de que a superioridade aérea total, antes de ser considerada garantida, para que possa ser alcançada em momentos breves e localizados, se for possível.

Anteriormente, um relatório analítico do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS, na sigla em inglês) informou que os Estados Unidos corrigem o risco de enfrentar deficiência crítica de missões de alta precisão em futuros confrontos de grande escala, em razão do esgotamento de arsenais durante o conflito com o Irã.

De acordo com o CSIS, o uso intensivo de tipos essenciais de mísseis nas últimas semanas provocou redução significativa dos estoques, enquanto a recomposição da capacidade de produção ao nível necessário pode levar vários anos.

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