EVENTO

Bela Gil e Márcia Barbosa debatem ciência, alimentação e sustentabilidade no Fica 2026

Encontro promovido pelo projeto Redes do Cerrado reuniu público no Parque da Carioca para refletir sobre biodiversidade, água, cultura e os desafios das mudanças climáticas

Por Assessoria Publicado em 22/06/2026 às 07:58
Redes do Cerrado

A 27ª edição do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Fica 2026) recebeu, neste sábado (20/06), um dos destaques de sua programação: a roda de conversa entre a apresentadora, chef de cozinha e ativista socioambiental Bela Gil e a física e pesquisadora Márcia Cristina Bernardes Barbosa.

Realizado no Parque da Carioca, o encontro integrou o projeto Redes do Cerrado e promoveu reflexões sobre biodiversidade, ciência, alimentação, água, sustentabilidade e os caminhos para a construção de um futuro mais equilibrado.

A atividade reforçou a proposta do festival de aproximar diferentes áreas do conhecimento, reunindo pesquisadores, artistas, lideranças sociais e o público em torno dos desafios socioambientais contemporâneos.

Reconhecida nacionalmente pela defesa da alimentação saudável, da agroecologia e dos sistemas alimentares sustentáveis, Bela Gil somou sua experiência à trajetória de Márcia Barbosa, referência internacional em pesquisas sobre água e mudanças climáticas. O diálogo evidenciou a importância das conexões entre ciência, cultura e participação social diante dos desafios ambientais da atualidade.

Em sua primeira visita à cidade de Goiás e ao festival, Bela Gil celebrou a experiência e destacou a relevância de iniciativas que integram cultura, saúde e meio ambiente.

“Estou muito feliz. Foi a minha primeira vez aqui na cidade de Goiás e também no Fica. Tive a oportunidade de conversar com a física maravilhosa Márcia Barbosa, em uma roda super informal e com uma turma linda. Espero que edições como essa possam se multiplicar, porque a gente precisa de comida, cultura, saúde, tudo junto e misturado”, afirmou.

A apresentadora também ressaltou a conexão proporcionada pelo território e pela natureza presentes no festival. “Estou aqui ouvindo o barulhinho do rio, e são oportunidades que a gente não tem muito em São Paulo, por exemplo. Estar em lugares que nos aproximam da natureza, pisar no chão, na terra, é sempre muito gostoso. Esse festival já tomou conta do meu coração. Vou embora com vontade de voltar, e um pedacinho dele ficou aqui”, disse.

A pesquisadora Márcia Barbosa destacou a importância da integração entre arte, ciência e participação social como ferramentas de transformação coletiva. Para ela, a experiência vivida na cidade de Goiás reforça a missão do festival ao ampliar o alcance desses debates para além dos espaços acadêmicos.

“O Fica combina um projeto interessante e estimulante, que traz arte, vídeo e cinema, mas também importantes preocupações sociais e ambientais, em uma localização que abraça esse propósito. A cidade se transforma em Fica. O movimento das pessoas, as ladeiras, tudo passa a fazer parte dessa experiência”, afirmou.

A cientista também ressaltou que iniciativas como essa criam condições para que as discussões se transformem em ações concretas. “Isso é muito importante porque significa que teremos debates e discussões que vão se consolidar no fazer e no viver. Não é apenas um debate acadêmico, embora eu seja uma acadêmica. É um debate sobre a vida, e espero que isso se transforme em vida”, completou.

Cooperação internacional e sustentabilidade
A atividade integrou o projeto Redes do Cerrado, espaço permanente de diálogo do Fica dedicado à troca de saberes e à valorização dos territórios e das populações que contribuem para a preservação do bioma.

A participação de Bela Gil foi viabilizada por meio de parceria com a Organização dos Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI), instituição que passou a integrar o conjunto de parceiros do Fica 2026. Com atuação internacional voltada à cooperação entre os países ibero-americanos nas áreas de educação, cultura, ciência e desenvolvimento sustentável, a organização amplia as conexões do festival com temas estratégicos para o futuro da sociedade.

Para a gerente de Cultura e Direitos Humanos do Escritório da OEI Brasil, Jane Diehl, a presença da organização no festival fortalece a cooperação internacional e amplia o alcance das discussões promovidas pelo evento.

“A parceria da OEI no Fica 2026 é estratégica porque amplia o evento para um polo de cooperação em todo o espaço ibero-americano. Para nós, o debate sobre sustentabilidade não é apenas técnico ou ambiental, mas essencialmente cultural. Essa parceria amplia nossa atuação ao usar a educação e o audiovisual como pontes para engajar a sociedade”, destacou.
Segundo ela, iniciativas que combatem a desinformação climática e valorizam os saberes tradicionais ajudam a aproximar a ciência do cotidiano das pessoas.

“Com ações interativas que ajudam a combater a desinformação climática e o apoio a produções que dão voz às comunidades tradicionais, conseguimos traduzir a ciência para o cotidiano e demonstrar que a cultura é uma ferramenta indispensável para a conscientização e a proteção da nossa biodiversidade”, afirmou.

Jane Diehl também apontou perspectivas para ampliar a cooperação internacional a partir das experiências desenvolvidas no festival.

“O Fica funciona como um excelente laboratório de boas práticas. A partir dessa vivência, a OEI projeta adaptar e compartilhar as metodologias de letramento ambiental e engajamento aplicadas no festival com escolas e comunidades dos países membros”, explicou.

A representante destacou ainda o potencial do audiovisual como ferramenta de integração regional.

“Vislumbramos fortalecer as redes de cooperação para que o audiovisual de impacto circule com mais força pela Ibero-América. O objetivo é garantir que as soluções pensadas na interseção entre cultura, ciência e sustentabilidade não fiquem restritas ao evento, mas sirvam de base para inspirar e orientar políticas públicas integradas em toda a região”, concluiu.

Sobre o festival

Com o tema “Água e Clima no Brasil das Nascentes”, o Fica 2026 foi realizado entre os dias 16 e 21 de junho, na cidade de Goiás. Considerado um dos principais festivais de cinema ambiental da América Latina, o evento reuniu mostras competitivas, debates, atrações culturais, atividades formativas e ações voltadas à valorização do patrimônio cultural e à conscientização ambiental.

O evento é promovido pelo Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Estado da Cultura (Secult Goiás), em correalização com a Universidade Federal de Goiás (UFG), por meio da Fundação RTVE, e colaboração estratégica da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Saneago.

O festival conta ainda com a cooperação da Unesco, por meio de sua Cátedra Saberes Patrimoniais, Biodiversidade e Cidadania; Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI); Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), por meio do Museu dos Povos Indígenas; e MapBiomas.

Também são parceiros as secretarias de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), da Saúde (SES), de Esporte e Lazer (Seel), da Educação (Seduc), da Economia, de Desenvolvimento Social (Seds) e da Retomada. Integram ainda a realização o Goiás Social, Corpo de Bombeiros Militar de Goiás, a Polícia Militar de Goiás, Universidade Estadual de Goiás (UEG), Instituto Federal Goiano (IF Goiano), Senac Goiás, Prefeitura de Goiás, Associação de Profissionais do Audiovisual Negro (Apan) e Festival Lanterna Mágica.

Fica 2026 – Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental
16 a 21 de junho de 2026
Cidade de Goiás (GO)

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