JULGAMENTO

Júri de PMs acusados de executar delator do PCC começa em Guarulhos

Antônio Vinícius Lopes Gritzbach foi morto a tiros de fuzil no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em novembro de 2024

Por Estadao Conteudo Publicado em 22/06/2026 às 07:00
Gritzbach

Começa nesta segunda-feira, 22, o tribunal do júri dos três policiais militares acusados pela execução de Antônio Vinícius Lopes Gritzbach, delator do Primeiro Comando da Capital (PCC). Ele foi morto a tiros de fuzil, aos 38 anos, em novembro de 2024, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo.

Gritzbach era investigado por lavar dinheiro para a facção e vinha colaborando com o Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) em uma das principais investigações contra o crime organizado dos últimos anos.

O ataque, apontado como uma das maiores demonstrações recentes do poderio bélico do crime organizado, também matou o motorista de aplicativo Celso Araújo Sampaio de Novais, de 41 anos, atingido nas costas dentro do terminal.

Serão julgados por envolvimento direto no crime o soldado Ruan Silva Rodrigues e o cabo Denis Antônio Martins, apontados como os atiradores, além do tenente Fernando Genauro da Silva, acusado de levar a dupla de carro até o aeroporto.

Presos preventivamente no Presídio Militar Romão Gomes, os policiais militares respondem por dois homicídios consumados qualificados e duas tentativas de homicídio também qualificadas. Além das duas vítimas fatais, ao menos outras duas pessoas ficaram feridas no atentado.

Ao todo, os PMs podem receber pena mínima de 51 anos de prisão pelo crime, sendo 21 anos apenas pelo assassinato de Gritzbach.

Ao Estadão, o advogado Claudio Dalledone Júnior, responsável pela defesa dos réus, afirmou que os três policiais negam participação no caso. Segundo ele, as investigações não reuniram elementos de prova. "É um julgamento que promete", disse.

Como será

Os jurados terão de votar 90 quesitos para definir se os réus são culpados ou inocentes e analisar todas as circunstâncias do crime. A defesa apresenta uma única tese: negativa de autoria.

A previsão é que o julgamento dure uma semana, até a próxima sexta-feira. A denúncia foi apresentada pelo MP-SP em março do ano passado.

De acordo com o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP), além dos três réus, foram arroladas 21 testemunhas. "Vamos mostrar vídeos, policiais vão ser ouvidos também", disse ao Estadão o promotor de Justiça Rodrigo Merli, do Tribunal do Júri de Guarulhos.

Três denunciados continuam foragidos. Entre eles estão Kauê do Amaral Coelho, apontado como olheiro que estava no aeroporto no dia do crime, e dois nomes indicados como mandantes da execução: Emílio Carlos Gongorra Castilho, conhecido como Cigarreira, e Diego dos Santos Amaral, o Didi, primo de Coelho. As defesas dos três não foram localizadas.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.