ECONOMIA

Bancos registram lucro recorde de R$ 255 bilhões em 2025 com Selic a 15%

Febraban e especialistas divergem sobre o peso dos juros altos no resultado do setor, que também foi impulsionado por eficiência, diversificação e menor inadimplência

Por Sputnik Brasil Publicado em 22/06/2026 às 05:31
Legenda não informada no material original. © Foto / Pixabay / Joel Fotos

O lucro dos bancos brasileiros chegou a R$ 255 bilhões em 2025, o maior valor já registrado, em um ano marcado pela Selic a 15%.

O resultado reacendeu o debate sobre o impacto dos juros altos no setor financeiro. Embora a taxa básica tenha começado a cair apenas em 2026, o crédito continuou pressionado, com linhas como o rotativo do cartão e o cheque especial acima de 400% e 100% ao ano, respectivamente.

Segundo apuração de um jornal de grande circulação no país, o setor bancário segue altamente concentrado. Em 2024, quatro grandes instituições detinham quase 60% do mercado de crédito.

Mesmo com o resultado recorde, o Banco Central avaliou que o avanço do lucro em 2025 foi "mais moderado". De acordo com a avaliação citada, o desempenho foi sustentado por provisões maiores e pela desaceleração do crescimento do crédito, mantendo a rentabilidade alinhada à expansão do sistema financeiro.

A rentabilidade medida pelo Retorno sobre o Patrimônio Líquido subiu para 16,76%, o maior nível desde 2021, segundo o jornal. Comparações internacionais indicam que os bancos brasileiros seguem acima de pares desenvolvidos, embora o Escritório do Superintendente de Instituições Financeiras do Canadá ressalte que diferenças regulatórias e estruturais dificultam comparações diretas.

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) afirma que o desempenho está em linha com o de outros países emergentes, com base em dados da The Banker. México, Peru e África do Sul registram retornos superiores, enquanto Argentina e Turquia distorcem o quadro por causa da inflação elevada.

Especialistas consultados na apuração avaliam que o lucro recorde de 2025 não se explica apenas pela Selic alta. Eles apontam uma combinação de spreads ainda elevados, queda gradual da inadimplência, maior rigor na concessão de crédito e ganhos de eficiência operacional.

A diversificação das receitas também contribuiu para a resiliência do setor, incluindo crédito, serviços, gestão de recursos, seguros e mercado de capitais. Investimentos em digitalização, automação e aprimoramento de modelos de risco elevaram a produtividade e reduziram custos.

Segundo a mídia, o fortalecimento de áreas como gestão de patrimônio e atendimento a clientes de alta renda tornou os resultados menos dependentes do ciclo tradicional de crédito.

A Febraban, por outro lado, contesta a ideia de que juros altos beneficiam os bancos. Para a entidade, a Selic elevada encarece a captação, aumenta a inadimplência e restringe a concessão de crédito, limitando receitas financeiras e de serviços.

Sobre o impacto do PIX, a federação afirma que a ferramenta amplia a bancarização e fortalece o mercado, mas reduz receitas de serviços. Ainda assim, avalia que o saldo tende a ser positivo para o sistema financeiro, embora sejam necessários estudos mais detalhados para medir seus efeitos.

Por Sputinik Brasil