Bolívia ratifica estado de exceção após mais de 50 dias de bloqueios
Celebração do Ano Novo Andino ocorreu com menor participação enquanto protestos começaram a ser suspensos no país
A celebração do Ano Novo Andino, marcada por oferendas à Pachamama, ocorreu em meio a uma pausa nos protestos sociais e a um retorno gradual à normalidade na Bolívia. O movimento acontece após a declaração de estado de exceção, que encerrou mais de 50 dias de bloqueios de estradas responsáveis por isolar La Paz e outras regiões do país.
Na madrugada de domingo, milhares de bolivianos foram às montanhas e mirantes ao redor de La Paz para receber, com as mãos erguidas, os primeiros raios de sol. Segundo a cosmovisão andina, eles chegam carregados de energia cósmica. A celebração remonta aos antigos povos pré-hispânicos e coincide com o solstício de inverno no Hemisfério Sul.
Os bloqueios antigovernamentais começaram a ser retirados aos poucos desde sábado, quando o presidente Rodrigo Paz declarou estado de exceção em todo o país. A crise social e a falta de combustível não impediram a tradição, mas reduziram a participação.
Um dos maiores sindicatos rurais que liderou os bloqueios de estradas, responsáveis por pressionar La Paz, convocou na véspera uma pausa no conflito e determinou a retirada dos mobilizados até a próxima semana. A entidade informou que pretende analisar a situação após a declaração de estado de exceção. Segundo comunicado da organização, a pausa também permitirá a participação na celebração.
Pouco antes da celebração na madrugada de domingo, a Assembleia Legislativa ratificou, por maioria, o decreto que declarou o estado de exceção.
Apenas o sindicato cocalero, alinhado ao ex-presidente Evo Morales (2006-2019), permanece em protesto. O governo acusa Morales de instigar e financiar as mobilizações para conseguir "impunidade", segundo as autoridades, em uma investigação judicial por suposto abuso de uma menor quando era mandatário. O político, de 66 anos, vive entrincheirado em seu reduto cocalero do Chapare desde 2024 e se recusou a comparecer perante a Justiça.
As forças de ordem, que desde sábado atuam para desobstruir as rotas, não entraram no Chapare, onde os bloqueios persistiam no domingo. Os sindicatos cocaleros mantêm o controle da região, onde também operam máfias ligadas ao narcotráfico, segundo o governo e a polícia.
Durante o conflito, centenas de caminhões ficaram parados nas estradas. Os caminhoneiros puderam voltar para casa na véspera. Empresários estimam perdas superiores a US$ 2 bilhões. As cidades enfrentaram desabastecimento de combustíveis e alimentos, agravando a recuperação econômica do país, que passa pela pior crise econômica em quatro décadas.
Fonte: Associated Press.
*Conteúdo traduzido com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação do Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.