ALERTAS FALSOS

Credenciais da Defesa Civil do Pará disparam alertas falsos para celulares

Mensagens classificadas como de nível extremo chegaram a seis capitais e outras cidades; Polícia Federal apura possível invasão hacker

Por Sputnik Brasil Publicado em 21/06/2026 às 15:18
Alertas falsos foram enviados a celulares em seis capitais e outras cidades © Reprodução/Redes sociais

Credenciais de dois agentes da Defesa Civil do Pará foram usadas para enviar dez alertas falsos, classificados como de “nível extremo”, para milhões de celulares entre a noite de sexta-feira (19) e a madrugada de sábado (20).

As mensagens chegaram a moradores de seis capitais — São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte, Curitiba e Rio Branco —, além de municípios de São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul e do Distrito Federal.

As informações estão em documentos enviados pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional à Polícia Federal. De acordo com o governo federal, o episódio aponta para um possível acesso indevido à Interface de Divulgação de Alertas Públicos (IDAP), plataforma utilizada para encaminhar comunicados oficiais de risco à população.

A principal suspeita é de que um hacker tenha usado as senhas dos agentes para acessar o sistema e emitir mensagens sem autorização. O governo afirma que o caso é considerado mais grave porque os usuários tinham credenciais estaduais vinculadas ao Pará, mas os alertas foram direcionados a regiões fora da área de atuação permitida.

“Além do possível uso indevido de credenciais, há indício de que o agente conseguiu operar a plataforma sem a devida restrição territorial, emitindo ou tentando emitir alertas para áreas nas quais os usuários não deveriam possuir permissão de envio”, diz um dos documentos encaminhados à PF.

Os primeiros disparos ocorreram às 23h41 e 23h45 de sexta-feira. As mensagens foram enviadas pela conta de um agente estadual do Pará e tinham como destino o Rio de Janeiro e Curitiba. Um dos textos mencionava “misantropo”, termo relacionado a aversão, desconfiança ou desprezo pelo convívio humano.

Após esses envios, a equipe técnica responsável pelo sistema bloqueou a credencial utilizada. No entanto, entre 1h20 e 1h23 da madrugada de sábado, uma segunda conta vinculada à Defesa Civil do Pará foi usada para novos disparos.

No total, nove mensagens foram enviadas pelo sistema Defesa Civil Alerta, que utiliza tecnologia de transmissão por antenas de telefonia para celulares em determinada região, e uma foi encaminhada por SMS, no caso de Belo Horizonte. A mensagem enviada à capital mineira mencionava um suposto “ataque alienígena”.

Todos os alertas foram cadastrados como “nível extremo”, classificação usada em situações de emergência nas quais a população deve adotar medidas imediatas de proteção. Os comunicados foram associados a categorias como alagamentos, tornados e deslizamentos, mas não tinham relação com nenhum evento real.

“Os alertas foram associados a diferentes categorias de ameaça, como ALAGAMENTOS, TORNADO e DESLIZAMENTOS”, informou o documento enviado à Polícia Federal. O material também aponta que as mensagens não apresentavam conteúdo técnico ou institucional compatível com os protocolos da Defesa Civil.

Em nota, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional afirmou que não confirma hipóteses sobre a dinâmica do incidente e aguarda a conclusão das investigações técnica e policial. A pasta informou ainda que o sistema de alertas segue funcionando, mas que os acessos dos estados foram temporariamente suspensos.

Durante esse período, novos alertas sobre eventos climáticos extremos só poderão ser enviados pelo Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cenad). As Defesas Civis estaduais deverão acionar o órgão caso seja necessário emitir comunicados emergenciais.

O secretário nacional de Proteção e Defesa Civil, Wolnei Wolff, afirmou que “tudo indica” que o episódio não foi causado por uma pessoa cadastrada regularmente no sistema. Segundo ele, a hipótese mais provável é de um ataque hacker.

A Polícia Federal abriu uma investigação preliminar para apurar o caso. A Defesa Civil também comunicou o incidente ao Centro de Prevenção, Tratamento e Resposta a Incidentes Cibernéticos do Governo Federal (CTIR Gov). Depois dos disparos, as permissões utilizadas foram bloqueadas e a plataforma passou por medidas de contenção para evitar novos acessos indevidos.