Brasil pode ampliar presença no mercado global de terras raras
País tem a segunda maior reserva mineral do mundo, mas produziu menos de 1% da demanda global em 2024
O Brasil possui hoje a segunda maior reserva mineral de terras raras do mundo, grupo de minerais utilizado na fabricação de turbinas eólicas, veículos elétricos, smartphones e computadores. Apesar desse potencial, o País produziu, em 2024, menos de 1% da demanda global, estimada em cerca de 390 mil toneladas.
Mesmo com participação ainda reduzida, a expectativa é de que o Brasil passe a figurar entre os principais fornecedores mundiais da matéria-prima nos próximos anos. A avaliação é de Rafaela Guedes, consultora especializada em minerais críticos e transição energética, com mais de 20 anos de experiência no setor de energia, incluindo 17 anos na Petrobras.
“Estamos entrando em uma fase muito próspera, em que os países começam a pensar que o Brasil pode ser um parceiro”, afirmou.
O assunto está entre os temas em debate no Energy Summit, evento que discute desafios ligados aos setores de energia e sustentabilidade. Com parceria do Estadão, o encontro deve reunir mais de 12 mil participantes, 3,3 mil empresas e 300 palestrantes entre os dias 23 e 25, no Rio de Janeiro.
Confira trechos da entrevista:
Estima-se que o País detenha a segunda maior reserva de terras raras do mundo, 23%, mas ainda produzimos menos de 1% da demanda mundial. O que ainda falta?
Uma coisa é ter o potencial geológico. O Brasil tem uma grande diversidade e disponibilidade de energia. O mesmo vale para os minérios. Grafite, níquel, cobre, terras raras estão em evidência agora, lítio e outros minerais existem em abundância no País. Isso ocorre porque a geologia brasileira é favorável. Já houve avanços importantes. Em comparação com o passado, por exemplo, hoje temos a região do Vale do Jequitinhonha produzindo lítio. Em relação às terras raras, estamos começando a ver os primeiros projetos. Para todos esses minerais, não se trata de um cenário de terra arrasada. Existe um início de produção.
O que torna o Brasil um país competitivo?
Na história do Brasil, nunca rasgamos uma regulação. Então, a percepção de risco em relação a fazer negócios no Brasil é relativamente bem aceita. Vou dar o exemplo das terras raras. Mais de 70% da produção e mais de 90% do processamento são feitos na China. Então, quando a China resolver dizer que vai exportar o óxido de neodímio, de praseodímio, de térbio ou qualquer outro desses elementos separados, acabou. Não há quem entregue na escala que o mundo precisa. Nenhum monopólio é bom, em lugar nenhum. Nesse sentido, estamos entrando em uma fase muito próspera, em que os países começam a pensar que o Brasil pode ser um parceiro.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.