PALEONTOLOGIA

Fóssil da Chapada do Araripe indica dieta de pterossauro no Cretáceo

Pesquisa publicada na iScience identificou tecidos moles, moléculas orgânicas e sinais de alimentação com peixes e cefalópodes

Por Sputnik Brasil Publicado em 20/06/2026 às 09:04
Fóssil de asa de pterossauro do Cretáceo foi analisado por pesquisadores no Brasil © Foto / Mauricio Alvarez Abel da Universidade do Chile

Um fóssil de pterossauro de 113 milhões de anos encontrado no Nordeste do Brasil revelou evidências raras de tecidos moles, moléculas orgânicas e traços químicos associados a uma dieta rica em peixes e cefalópodes, como lulas ou parentes de náuticos.

No estudo, a professora da Universidade Curtin e autora principal da pesquisa, Kliti Grice, e seus colegas analisaram uma asa esquerda parcial de um pterossauro angueride do início do período Cretáceo. O material é da localidade do Sítio Baixa Grande, na região noroeste da Chapada do Araripe, no Brasil.

Os resultados da pesquisa foram publicados na revista iScience . Segundo o Sci.News, a asa do pterossauro estava envolta em uma concreção calcária, o que ajudou a preservar o fóssil em detalhes notáveis.

Os paleontólogos identificaram estruturas microscópicas sem espécimes, entre elas fibras semelhantes ao colágeno preservado, tecidos moles mineralizados e biomarcadores esteroides.

Medições de isótopos de carbono de compostos do colesterol sugerem que o pterossauro era um predador aéreo que caçava sobre as águas no Cretáceo.

De acordo com o estudo, o réptil provavelmente se alimentava de peixes e cefalópodes e ocupava uma posição relativamente alta na rede alimentar.

"Este fóssil é uma verdadeira cápsula do tempo - não só está lindamente preservado, mas pela primeira vez detectamos vestígios de esteroides em um pterossauro, fornecendo mais evidências de que essas criaturas provavelmente se alimentavam de peixes ou lulas", disse Grice.

Com o uso combinado de técnicas químicas, isotópicas e de imagem de alta resolução, os cientistas reconstruíram o processo de fossilização. Eles concluíram que a carcaça criou um ambiente químico localizado à medida que se degradava.

A acidez gerada pela atividade microbiana desencadeou a formação de minerais fosforados que estabilizaram os tecidos. Em seguida, ondas posteriores de mineralização carbonatada selaram os restos e protegeram os compostos orgânicos de maior manipulação.

O estudo também questiona a suposição comum de que a preservação fóssil excepcional depende apenas de condições pobres em oxigênio. Para os pesquisadores, mudanças localizadas entre condições de oxidação e redução ao redor do risco animal tiveram papel crítico na preservação do fóssil.

Por Sputinik Brasil