INVESTIMENTOS

Selic menor mantém pós-fixados no radar e favorece Bolsa, dizem especialistas

Copom reduziu a taxa básica de juros para 14,25% ao ano; analistas avaliam efeitos na renda fixa e variável

Por Estadao Conteudo Publicado em 20/06/2026 às 08:30
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou na quarta-feira, 17, a redução de 0,25 ponto porcentual da taxa básica de juros, a Selic, para 14,25% ao ano. A decisão foi unânime.

Com o novo patamar dos juros, especialistas ouvidos pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, avaliaram os possíveis impactos sobre os investimentos em renda fixa e renda variável.

Diversificação na renda fixa

Na renda fixa, o ambiente atual de volatilidade, mesmo com juros ainda elevados, mantém os títulos pós-fixados como alternativa de menor risco dentro da categoria, segundo Marcelo Freller, estrategista de investimentos do C6 Bank.

“O pós-fixado é o que tem o menor risco e retornos altos, ao contrário do pré-fixado que tem bastante volatilidade e que no cenário pré-eleitoral e com o ambiente geopolítico ainda cheio de risco, não se torna tão atrativo”, explica Freller.

O estrategista acrescenta que, no cenário pré-eleitoral, ainda não é possível prever quando ocorrerá a queda das taxas de juros reais no Brasil, embora elas estejam em patamar considerado excessivamente alto por muitos analistas.

“Então, o IPCA+ Tesouro IPCA+ 2032, com rentabilidade IPCA + 8,20% ao ano também não parece ser tão atrativo nesse momento”, destaca Freller.

Impacto marginal para os títulos pós-fixados

Marco Saravalle, estrategista-chefe da Krivo Capital, afirma que o corte anunciado na quarta-feira já era esperado e estava precificado pelo mercado, o que tende a gerar impacto marginal nos títulos pós-fixados. Para ele, o ponto mais relevante é o tom do comunicado do Banco Central e a sinalização para as próximas reuniões.

“O boletim Focus colocou expectativa de Selic em 13,75% para este ano, ou seja, temos espaço somente para um ou dois novos cortes ao longo dos próximos meses. Em algum momento o Banco Central vai ter que pausar os cortes de juros e esperar para ver como será o comportamento do mercado ao longo dos próximos meses”, disse.

Na avaliação de Rodrigo Moliterno, da área de renda variável da Veedha Investimentos, a redução da Selic deve ser positiva para os títulos indexados à inflação, como o Tesouro IPCA+.

“São aqueles títulos que tem uma fração de inflação mais o juros fixo”, afirma Moliterno.

Segundo ele, efeito semelhante ocorre nos títulos pré-fixados, que estão com taxas superiores até ao CDI e podem ter impacto positivo com o fechamento da curva. Na renda fixa, esses papéis estariam entre os mais beneficiados.

Atratividade na Bolsa

Para Ian Lopes, economista da Valor Investimentos, o momento ainda exige cautela no mercado de renda variável, diante da expectativa de inflação desenquadrada apontada pelo Banco Central nas últimas reuniões.

“O corte é bom para os ativos de renda variável. Todo corte de juros tem um porcentual benéfico e acaba beneficiando os ativos de Bolsa”, afirma.

Moliterno também avalia que a queda da Selic tem impacto maior na renda variável.

“Quando fizer o valuation de uma empresa e trouxer a empresa a valor presente, ao descontar os juros menores, o valor presente da ação tende a ser mais alto. Então, para o mercado de renda variável, o impacto é bem positivo, tanto é que hoje os mercados estão se recuperando positivamente”, afirmou o especialista na quarta-feira.

Ele observou, no entanto, que essa melhora também depende do mercado externo.

“A questão do possível fim do conflito com a assinatura do acordo entre EUA e Irã até sexta-feira, atrelada ao cenário de juros caindo gera um impacto bastante positivo para o mercado de renda variável”, conclui Moliterno.