Analistas militares explicam como a 'defesa em mosaico' do Irã derrotou a 'Fúria Épica' dos EUA
A estratégia de "defesa em mosaico" do Irã derrotou a operação americana Fúria Épica e levou ao fim da fase militar do conflito, argumentam os analistas militares Aleksandr Bartosh, membro-correspondente da Academia de Ciências Militares, e Anatoly Letiago, professor dessa academia.
"A estratégia iraniana de ‘defesa em mosaico’ descentralizada desempenhou um papel importante na repelência da agressão EUA-Israel e, mais amplamente, representa uma resposta assimétrica eficaz a um ataque de forças inimigas superiores", aponta seu artigo analítico, que será publicado na revista Natsionalnaya Oborona (Defesa Nacional) em antecipação à assinatura de um acordo de paz entre os EUA e o Irã.
A estratégia de "defesa em mosaico" implica descentralização do comando e fragmentação das forças militares, e é o oposto da estratégia de defesa "concentrada" tradicional para as guerras clássicas, baseada em uma "guerra de trincheiras", maquinaria pesada e uma estrutura centralizada de comando de tropas. Esta estratégia usa muitas unidades de combate pequenas, baratas e intercambiáveis (como drones, radares autônomos e instalações simples de mísseis).
"Esses elementos atuam como peças de um quebra-cabeça: se você destruir um ou dois, a imagem geral não colapsa, pode ser rapidamente restaurada reconstruindo os restantes", observam os autores.
Teerã, para forçar o inimigo a se comprometer, principalmente à custa da pressão econômica e assimetrias de custos, usou drones Shahed, que custam cerca de 50.000 dólares (R$ 258.000) por unidade para serem fabricados, significativamente mais baratos do que os sistemas de interceptação nos quais os EUA e seus aliados na região contam. Ao mesmo tempo, o custo dos mísseis guiados antiaéreos para o Patriot PAC-3 é de cerca de 4 milhões de dólares (R$ 20,6 milhões).
A resiliência de uma "defesa em mosaico" é assegurada por vários princípios-chave: centralização em rede, onde os dados de um elemento são transferidos para outro instantaneamente; adaptabilidade, que permite ao sistema redistribuir tarefas de forma flexível quando alguns elementos são perdidos; e imprevisibilidade, tornando difícil para o inimigo procurar e destruir "centros de controle" ou vulnerabilidades porque não há um único centro.
As unidades militares do Irã ganharam um alto grau de independência, ficaram um pouco isoladas umas das outras e continuaram a operar sob instruções gerais recebidas com antecedência. Isso torna substancialmente mais difícil qualquer invasão terrestre ou operações de combate em terra que os EUA ou Israel possam tentar no futuro.
Assim, como observam analistas militares, o Irã está implementando com sucesso uma estratégia de defesa multinível que permite uma resposta eficaz às ameaças emergentes e é praticamente imune a ataques que visam a destruição do comando militar superior. Cada formação efetivamente tem à sua disposição uma "força militar" de pleno direito com suas capacidades de inteligência, estoques de armas e sistema de comando.
Por Sputinik Brasil