RELAÇÕES INTERNACIONAIS

Trump chama Lula de 'muito volátil' em entrevista ao Axios

Declarações ocorreram em meio a tensões entre Estados Unidos e Brasil por tarifas e pela classificação de facções como terroristas

Por Sputnik Brasil Publicado em 19/06/2026 às 19:03
Trump comentou sobre Lula em entrevista ao portal norte-americano Axios © AP Photo / Julia Demaree Nikhinson

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (19) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é uma pessoa “muito volátil” e disse que “não poderia se importar menos” com o líder brasileiro.

As declarações foram dadas em entrevista ao portal norte-americano Axios, em um momento de aumento das tensões entre Washington e Brasília, após a imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros e a decisão do governo dos EUA de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

Questionado se era admirador de Lula, Trump respondeu que não costuma pensar no presidente brasileiro e atribuiu a ele um comportamento “volátil”.

“Não se trata de ser fã ou não ser fã. Para ser sincero, eu não penso nele. Realmente não penso nele. Não poderia me importar menos. Mas agora ele é um tipo diferente de pessoa. Muito volátil. Eu o vi fazendo um discurso. Foi um discurso muito volátil, e tudo bem”, declarou.

Na entrevista, o presidente norte-americano afirmou que existem diferentes perfis de líderes e citou como exemplo o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, descrito por ele como um governante “muito sólido” e “muito duro”.

Trump também disse que conhece Lula “um pouco” e que os dois já tiveram contatos anteriormente. “Eu observei o Brasil, o líder de lá, que conheço um pouco. Tivemos alguns contatos”, afirmou.

O republicano ressaltou ainda que chefes de Estado têm em comum o fato de serem inteligentes e mencionou o presidente chinês, Xi Jinping, como “um homem muito inteligente”.

A declaração ocorre dias após a cúpula do G7 na França, quando Lula e Trump se cumprimentaram rapidamente. Na ocasião, o presidente brasileiro voltou a criticar o norte-americano. Uma reunião entre os dois foi especulada pela mídia brasileira como forma de avançar nas tratativas pelo fim das tarifas de 25% que o Departamento do Tesouro propôs sobre produtos brasileiros, em retaliação a supostas práticas desleais de comércio, como o Pix.

Segundo Lula, os dois não tinham o que discutir, uma vez que as equipes dos países ainda estão negociando. “Eu não tinha por que pedir bilateral, nós estamos negociando. A hora que terminar a negociação, se não der em nada, eu não tenho nenhum problema de pegar o telefone, ligar para o Trump outra vez e marcar outra conversa.”

Na ocasião, Lula destacou que Trump parece mal-informado sobre o Brasil e pode estar sendo influenciado por fugitivos brasileiros, como o ex-deputado federal Alexandre Ramagem e Ricardo Magro, dono da Refit, considerado o maior sonegador de impostos do Brasil. “Se ele conhece o Brasil pela relação que ele tem com a família Bolsonaro, ele desconhece o Brasil.”