JUDICIÁRIO

Cármen Lúcia defende confiança pública como foco do Judiciário

Ministra do STF afirmou, em evento no Rio de Janeiro, que magistrados devem priorizar credibilidade e transparência, não popularidade

Por Agência Brasil Publicado em 19/06/2026 às 18:53
Cármen Lúcia defende confiança da sociedade no Poder Judiciário

A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia afirmou nesta sexta-feira (19) que a reestruturação do Poder Judiciário deve ter como foco a construção da confiança dos cidadãos na conduta dos magistrados, e não a busca por popularidade.

A declaração foi feita no encerramento do evento “A Justiça do Amanhã”, no Rio de Janeiro, que discutiu ética, transparência, eficiência e o futuro da Justiça brasileira.

Para a magistrada, que atua há duas décadas no STF, a credibilidade das decisões judiciais depende da garantia de que o juiz agiu com isenção e respeito rigoroso às leis.

“Precisamos estruturar um poder no qual a sociedade confie. Não quero que ela goste, porque é claro que quem perde uma causa não gosta da decisão, menos ainda de quem a proclamou”, disse a ministra.

“O importante é que a pessoa saiba que eu agi de maneira correta de acordo com a lei e que o único compromisso foi cumprir o que eu jurei cumprir quando tomei posse há 20 anos no STF: a Constituição, as leis da República”, completou.

Código de Ética

A defesa da confiança e da transparência na atuação dos magistrados se relaciona ao projeto de Código de Ética do qual Cármen Lúcia é relatora. A criação da norma foi definida como prioridade pelo ministro Edson Fachin, que designou a ministra para a função no início deste ano.

A proposta ainda está em fase de elaboração e deve estabelecer limites e deveres para evitar conflitos de interesse. São esperadas normas sobre a participação de ministros em eventos e palestras promovidos por empresas com processos no STF, além de regras para disciplinar a atuação de parentes de magistrados em escritórios de advocacia que litigam no tribunal.

Origem da proposta

O debate sobre a necessidade de um código normativo para o tribunal ganhou força em meio às investigações envolvendo o Banco Master e citações a integrantes do STF. O ministro Alexandre de Moraes rechaçou publicamente ter mantido contatos com o banqueiro Daniel Vorcaro, investigado na Operação Compliance Zero.

Em paralelo, o ministro Dias Toffoli retirou-se da relatoria do inquérito sobre fraudes na mesma instituição financeira. O afastamento ocorreu após relatórios policiais apontarem irregularidades em um fundo de investimento ligado ao banco, que adquiriu cotas de um empreendimento turístico do qual o magistrado é sócio.

Resistências na Corte

A aprovação do projeto ainda divide os ministros nos bastidores, segundo o ministro Edson Fachin. Discussões internas avaliam a conveniência política do momento para a votação das regras e a viabilidade prática de sua fiscalização.

Entre as divergências técnicas estão a obrigatoriedade de divulgação prévia de compromissos acadêmicos e agendas de palestras dos ministros, o que gera preocupações sobre a segurança institucional dos magistrados, além das regras específicas de impedimento em julgamentos.