MERCADO FINANCEIRO

Juros futuros fecham em alta com dúvidas sobre Copom e atuação de fundos

Curva avançou pelo quarto pregão seguido a partir dos vencimentos intermediários, em dia de baixa liquidez e sem referência de Wall Street

Por Estadao Conteudo Publicado em 19/06/2026 às 18:10
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Os juros futuros fecharam em alta nesta sexta-feira, 19, com avanço mais forte a partir dos vencimentos intermediários, completando quatro sessões seguidas de elevação nesse trecho da curva. O movimento ocorreu em um dia de liquidez reduzida, devido à ausência de negócios em Wall Street e à agenda esvaziada de indicadores.

O viés de alta que já aparecia pela manhã ganhou força à tarde e alcançou toda a extensão da curva. O movimento foi influenciado por declarações do pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, e por ajuste técnico atribuído a fundos locais.

No fechamento, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 ficou em 14,255%, ante 14,246% no ajuste e 14,235% no fechamento anterior. O DI para janeiro de 2028 marcou 14,820%, contra 14,737% no ajuste e 14,700% no fechamento de quinta-feira. O DI para janeiro de 2029 projetou 14,940%, de 14,843% no ajuste e 14,765% no fechamento. Já a taxa do DI para janeiro de 2031 subiu de 14,762% no ajuste e 14,690% no fechamento para 14,885%.

Sem a referência dos Treasuries, o desconforto com o comunicado do Copom continuou influenciando a curva. “Hoje, sexta-feira, 19, é um dia sem muita explicação, com o feriado nos EUA reduzindo a liquidez e sem dado econômico relevante, e os agentes esperando a ata e o RPM na semana que vem para entender melhor a visão do Copom”, afirmou o economista Felipe Rodrigo de Oliveira, da MAG Investimentos.

O segmento de juros destoou do desempenho positivo dos demais mercados domésticos. Investidores ainda avaliavam o teor do comunicado, que deu margem à interpretação de que o Copom poderia estar disposto a tolerar níveis de inflação acima da meta. Por isso, a expectativa é elevada para a ata e para o Relatório de Política Monetária (RPM), previstos para a próxima semana.

Para o economista Sérgio Goldenstein, sócio-fundador da Eytse Estratégia, os documentos e a entrevista coletiva dos dirigentes sobre o RPM poderão permitir ao Banco Central corrigir a comunicação e apresentar cenários alternativos para a trajetória da Selic. Com isso, segundo ele, o mercado poderá entender que há fundamentação técnica. “Houve grande exagero na reação do mercado, em boa parte derivado de uma comunicação ruim”, disse Goldenstein.

Goldenstein afirmou ainda que o Copom poderia ter usado, como já fez no passado, um cenário de Selic constante, e não apenas a trajetória da taxa no Boletim Focus. Na avaliação dele, se a comunicação for corrigida, a tendência é de que a curva devolva prêmios.

A partir do meio da tarde, as taxas voltaram a renovar máximas, com alguns vencimentos próximos de 15%. Foi o caso do DI para janeiro de 2029, que chegou a 14,985%. “O maior destaque foi a fala do Flávio, com alguns pontos que vão contra o ajuste fiscal que deve ser necessário em 2027”, relatou o estrategista-chefe de Macro e Dívida Pública da Warren, Luis Felipe Vital.

Em entrevista ao SBT News, Flávio afirmou que, se vencer a eleição, não pretende acabar com os pisos constitucionais da saúde e da educação, nem encerrar a vinculação do salário mínimo à inflação ou realizar uma reforma da Previdência. Ele defendeu um “tesouraço” em ministérios e em custos da burocracia, além de cortes em impostos.

A reação negativa ocorreu porque o mercado vê em Flávio um contraponto ao expansionismo fiscal atribuído ao governo Lula, que tenta a reeleição.

Profissionais das mesas de renda fixa também relataram que, próximo ao período de definição das taxas de ajuste, entre 16h10 e 16h20, houve forte atuação de fundos locais tomados em juros, “aproveitando a baixa liquidez para puxar a curva”. A percepção geral foi de que o volume movimentado nesta sexta-feira ficou abaixo da metade do giro padrão.

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