Colômbia escolhe presidente em segundo turno neste domingo
Iván Cepeda e Abelardo de la Espriella disputam a eleição com propostas opostas para segurança, economia, narcotráfico e relações internacionais
A Colômbia elegerá seu próximo presidente no segundo turno neste domingo, 20. A disputa será entre o progressista Iván Cepeda e o conservador Abelardo de la Espriella, candidatos que defendem caminhos distintos para um país marcado por desafios financeiros, sociais e de segurança.
O senador Cepeda promete aprofundar a agenda do atual governo progressista de Gustavo Petro, seu aliado político, que está inelegível para a reeleição. Segundo ele, a oposição impediu o governo de implementar todos os seus projetos. Cepeda também indicou que pretende continuar buscando soluções negociadas para o conflito armado interno.
De la Espriella, apoiado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defende uma mudança completa em relação à atual administração. Sua proposta inclui uma estratégia de linha dura contra o narcotráfico e os grupos armados ilegais que ainda atuam na Colômbia.
A seguir, estão as principais propostas dos dois candidatos.
Segurança e negociações de paz
Cepeda não descarta a continuidade dos diálogos. Ele afirmou, no entanto, que seguiria com respeito à população civil e que não permitiria que as negociações fossem usadas pelos grupos ilegais para fortalecimento militar.
De la Espriella, por sua vez, encerraria abruptamente os esforços de diálogo e se dedicaria a combater esses grupos com “a força das armas”, ampliando a capacidade militar com tecnologia. Ele também prometeu construir “megaprisões”, inspiradas nas unidades do presidente salvadorenho Nayib Bukele, por quem demonstra simpatia.
Narcotráfico
Assim como Petro, Cepeda sustenta que a “guerra às drogas fracassou” sob o modelo proibicionista. Sua proposta é promover, no Congresso, regulamentações para cannabis, papoula e folhas de coca, “superando abordagens que as equipararam” à cocaína e à heroína.
De la Espriella afirma que pretende fumigar plantações de coca com herbicidas. Ele também apoia a política antidrogas de Trump, incluindo o bombardeio de embarcações suspeitas de tráfico de drogas. “Qualquer barco que sair carregado de drogas, darei a ordem para afundá-lo com as pessoas a bordo”, disse à Associated Press.
Economia
O próximo governo colombiano enfrentará problemas fiscais. Em 2025, o déficit primário — desequilíbrio entre receitas e despesas — foi de 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB), o maior dos últimos 30 anos, excluindo períodos de crise, segundo o Comitê Autônomo da Regra Fiscal.
De la Espriella defende um ajuste fiscal que reduziria o tamanho do Estado em até um quarto. Ele promete construir uma “nação milagrosa”, com crescimento econômico de 7%. Sua proposta se concentra na redução da carga tributária sobre as empresas e na simplificação da legislação para estimular o investimento e a economia. O candidato também é favorável ao avanço do fraturamento hidráulico, conhecido como fracking.
Cepeda pretende reduzir desigualdades por meio de programas sociais. Ele atribui ao modelo neoliberal o aprofundamento das desigualdades e defende sua superação com o abandono do extrativismo, do emprego precário e da concentração de riqueza. O candidato afirma que, por meio de acordo com os setores social e econômico, revisará o sistema tributário para elevar impostos sobre grandes fortunas. Petro tentou aumentar impostos, mas o Congresso rejeitou duas de suas reformas fiscais.
Relações internacionais
Petro tem mantido uma relação tensa com o governo dos Estados Unidos desde o retorno de Trump, em razão de divergências sobre migração, segurança e combate ao narcotráfico.
Cepeda declarou que manterá relações com os Estados Unidos, principal parceiro comercial da Colômbia, ao mesmo tempo em que defenderá a soberania e priorizará a cooperação com a África e a Ásia. Ele questionou a captura de Nicolás Maduro e defendeu a manutenção das relações com a Venezuela.
De la Espriella celebrou a operação e declarou que a relação com a Venezuela será mediada pelo governo americano.
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