Brasil reduz distância para Argentina nas exportações de farelo de soja
Relatório da Bolsa de Comércio de Rosário aponta avanço brasileiro com maior moagem, demanda por óleo de soja e crescimento do biodiesel
O Brasil se aproxima da Argentina na disputa pela liderança das exportações de farelo de soja, em um cenário de queda nos preços do produto e pressão sobre as margens das processadoras.
De acordo com relatório divulgado nesta sexta-feira (19) pela Bolsa de Comércio de Rosário, o país deve exportar mais de 12,3 milhões de toneladas de farelo de soja no primeiro semestre de 2026. A estimativa para a Argentina é de 13,3 milhões de toneladas no mesmo período.
O levantamento indica que a vantagem argentina sobre o Brasil pode cair para cerca de 8% até junho. Em 2021, essa diferença era de 86% e, no primeiro semestre de 2025, estava em 23%.
Segundo o relatório, a aproximação ocorre enquanto o Brasil amplia sua capacidade de moagem. Na Argentina, por outro lado, o processamento permanece praticamente estagnado.
O avanço brasileiro foi impulsionado pelo crescimento da indústria de biodiesel, que aumentou a demanda interna por óleo de soja e estimulou o esmagamento do grão. Com isso, houve maior oferta de farelo de soja disponível para exportação.
O cenário representa um desafio direto para a Argentina, onde o farelo de soja é o principal produto de exportação e tem peso determinante na formação dos preços internos da soja.
O relatório também aponta que as margens de lucro argentinas estão cada vez mais dependentes dos preços do óleo de soja. A queda nos preços do farelo reduz uma fonte tradicional de receita das processadoras.
Com os preços de exportação do farelo 10% abaixo do pico registrado em maio, uma nova queda no valor do óleo de soja pode diminuir ainda mais o poder de compra das processadoras e limitar o suporte aos preços locais da soja.
Por Sputinik Brasil