POLÍTICA MONETÁRIA

Durigan vê margem para nova redução de 0,25 ponto na Selic

Ministro da Fazenda negou que linhas de crédito lançadas pelo governo tenham impacto macroeconômico

Por Estadao Conteudo Publicado em 19/06/2026 às 14:08
O ministro da Fazenda, Dario Durigan © Foto / Washington Costa / Ministério da Fazenda

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta sexta-feira, 19, que avalia haver espaço para mais um corte de 0,25 ponto porcentual na taxa Selic. Segundo ele, a economia brasileira estaria caminhando para um cenário de desinflação.

Durigan também negou que as linhas de crédito anunciadas pelo governo estejam pressionando a economia. A declaração foi dada durante entrevista ao Jota.

"O Banco Central tem de avaliar os dados e, medindo a temperatura de como isso está acontecendo, em especial no horizonte relevante, tomar a medida que ele entenda cabível, mas me parece que ainda tem espaço", disse.

Na quarta-feira, 17, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Selic em 0,25 ponto porcentual, de 14,50% para 14,25%. Foi o terceiro corte consecutivo nessa mesma proporção.

Apesar da redução, o colegiado passou a incluir, entre os riscos de alta para a inflação, programas de estímulo à economia doméstica.

O comitê citou como risco: "estímulos à demanda agregada, em particular ao componente de consumo, que tenham como resultado o crescimento da atividade econômica acima do produto potencial, enfraquecendo parte dos canais usuais de transmissão da política monetária". O texto, no entanto, não mencionou diretamente os programas do governo.

Durigan rejeitou a avaliação de que as linhas de crédito lançadas afetem o conjunto da economia. "Eu não acho que a linha para compra de moto, a linha para compra de carro por parte de motorista de aplicativo, de táxi, isso tenha impacto macroeconômico", afirmou.

Indicações para a diretoria do BC

Na mesma entrevista, o ministro da Fazenda defendeu que o governo avance nas indicações para duas diretorias do Banco Central que estão vagas desde janeiro, após o fim dos mandatos dos antigos ocupantes.

"Eu gostaria que o governo avançasse nas indicações, não pela questão política, mas pela questão institucional", declarou. "Mas tenho de reconhecer que isso está um pouco além das minhas competências como ministro da Fazenda; é uma prerrogativa do presidente da República, que sempre conversa com o Congresso antes."

As vagas abertas são nas diretorias de Política Econômica, responsável, entre outras atribuições, pela elaboração da comunicação do Copom, que define a taxa Selic; e de Organização do Sistema Financeiro e Resolução, que trata de autorizações para o funcionamento de instituições financeiras e da administração dos regimes de resolução, como liquidação de bancos.

Atualmente, os diretores de Assuntos Internacionais e Gestão de Riscos Corporativos, Paulo Picchetti, e de Regulação, Gilneu Vivan, acumulam, respectivamente, as diretorias de Política Econômica e de Organização do Sistema Financeiro.