Durigan vê margem para nova redução de 0,25 ponto na Selic
Ministro da Fazenda negou que linhas de crédito lançadas pelo governo tenham impacto macroeconômico
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta sexta-feira, 19, que avalia haver espaço para mais um corte de 0,25 ponto porcentual na taxa Selic. Segundo ele, a economia brasileira estaria caminhando para um cenário de desinflação.
Durigan também negou que as linhas de crédito anunciadas pelo governo estejam pressionando a economia. A declaração foi dada durante entrevista ao Jota.
"O Banco Central tem de avaliar os dados e, medindo a temperatura de como isso está acontecendo, em especial no horizonte relevante, tomar a medida que ele entenda cabível, mas me parece que ainda tem espaço", disse.
Na quarta-feira, 17, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Selic em 0,25 ponto porcentual, de 14,50% para 14,25%. Foi o terceiro corte consecutivo nessa mesma proporção.
Apesar da redução, o colegiado passou a incluir, entre os riscos de alta para a inflação, programas de estímulo à economia doméstica.
O comitê citou como risco: "estímulos à demanda agregada, em particular ao componente de consumo, que tenham como resultado o crescimento da atividade econômica acima do produto potencial, enfraquecendo parte dos canais usuais de transmissão da política monetária". O texto, no entanto, não mencionou diretamente os programas do governo.
Durigan rejeitou a avaliação de que as linhas de crédito lançadas afetem o conjunto da economia. "Eu não acho que a linha para compra de moto, a linha para compra de carro por parte de motorista de aplicativo, de táxi, isso tenha impacto macroeconômico", afirmou.
Indicações para a diretoria do BC
Na mesma entrevista, o ministro da Fazenda defendeu que o governo avance nas indicações para duas diretorias do Banco Central que estão vagas desde janeiro, após o fim dos mandatos dos antigos ocupantes.
"Eu gostaria que o governo avançasse nas indicações, não pela questão política, mas pela questão institucional", declarou. "Mas tenho de reconhecer que isso está um pouco além das minhas competências como ministro da Fazenda; é uma prerrogativa do presidente da República, que sempre conversa com o Congresso antes."
As vagas abertas são nas diretorias de Política Econômica, responsável, entre outras atribuições, pela elaboração da comunicação do Copom, que define a taxa Selic; e de Organização do Sistema Financeiro e Resolução, que trata de autorizações para o funcionamento de instituições financeiras e da administração dos regimes de resolução, como liquidação de bancos.
Atualmente, os diretores de Assuntos Internacionais e Gestão de Riscos Corporativos, Paulo Picchetti, e de Regulação, Gilneu Vivan, acumulam, respectivamente, as diretorias de Política Econômica e de Organização do Sistema Financeiro.