TRANSPORTE PÚBLICO

Estação Washington Luís da Linha 17-Ouro deve abrir até o fim de junho

Monotrilho seguirá em operação parcial, de segunda a sexta-feira, das 10h às 15h, até a previsão de funcionamento pleno em outubro

Por Estadao Conteudo Publicado em 19/06/2026 às 13:52
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

O monotrilho da Linha 17-Ouro, que conecta o metrô ao Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, deve ganhar mais uma estação em operação. A Estação Washington Luís começa a funcionar até o fim de junho, segundo apurou o Estadão.

Apesar da abertura da nova unidade, o serviço continuará funcionando apenas das 10h às 15h, de segunda a sexta-feira. Por enquanto, o monotrilho não opera aos fins de semana. A linha foi entregue no fim de março e a operação plena está prevista para outubro.

A Estação Washington Luís fica entre as avenidas Jornalista Roberto Marinho e Washington Luís. A estrutura já estava pronta em março, mas o Metrô, responsável pela construção e pela administração inicial da linha, decidiu não colocá-la em funcionamento naquele momento. A unidade será a primeira em formato Y no Estado, já que os trens poderão seguir ora para Congonhas, ora para Washington Luís.

Com isso, os passageiros precisarão acompanhar as telas e os avisos sonoros para embarcar no trem correto. "Por exemplo, a cada dois trens para o aeroporto, um vai para a Washington Luís. Vamos controlar isso de acordo com a demanda de passageiros", afirmou o diretor de Engenharia e Planejamento do Metrô, Roberto Torres Rodrigues.

A estação final da linha poderá variar entre o Aeroporto de Congonhas e a Estação Washington Luís. Segundo o texto original, o método é comum em metrôs na Europa, como em Paris, mas ainda será uma novidade para os usuários paulistas.

Por esse motivo, o Metrô optou por iniciar a operação da linha antes de incluir a nova dinâmica. Em março, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) disse que a decisão foi tomada "por uma questão de segurança" dos usuários.

A operação diária, das 4h40 à meia-noite, está prevista para começar em outubro. Nessa etapa, a administração da linha passará para a concessionária Motiva, atual nome da CCR.

Até lá, o transporte de passageiros será gratuito, já que o funcionamento ainda é parcial. Depois, a tarifa será de R$ 5,40, mesmo valor cobrado nas demais linhas do metrô.

Quando estiver em operação plena, em outubro, a expectativa é que a linha transporte 93 mil usuários por dia. Até o momento, cerca de 220 mil pessoas utilizaram o serviço em quase três meses.

"A operação transitória avalia o desempenho dos sistemas, trens e estações em toda a linha, e sua evolução, para poder inserir mais trens em funcionamento simultâneo e a operação em carrossel, ampliando o horário e os dias de atendimento", informou o Metrô em nota.

O monotrilho liga Congonhas às linhas 5-Lilás, na Estação Campo Belo, e 9-Esmeralda, no Morumbi.

Obra sai do papel após atrasos

A obra avança 13 anos depois do prazo prometido inicialmente para entrega. O projeto original previa que o monotrilho chegasse ao Estádio do Morumbi e à Estação Jabaquara, mas o traçado atual irá do aeroporto até a Estação Morumbi da CPTM.

O monotrilho foi anunciado em janeiro de 2010 como uma das obras previstas para a Copa do Mundo de 2014. Na época, a proposta era construir 18 estações entre Congonhas e o Estádio do Morumbi, com o objetivo de facilitar o deslocamento de torcedores e turistas.

Posteriormente, a organização da Copa substituiu o Morumbi pelo estádio do Corinthians, em Itaquera, como sede das partidas de futebol. As obras perderam financiamento federal e, após 2014, as construtoras responsáveis, Odebrecht e Andrade Gutierrez, foram atingidas pela Operação Lava Jato.

O Metrô de São Paulo rescindiu o contrato com as empresas em 2016. A obra ficou parada por anos, e o impacto da Lava Jato no setor dificultou uma nova contratação.

A retomada ocorreu apenas em 2020, mas o empreendimento ainda passou por novas trocas de empresas e paralisações. "Tivemos problemas com várias contratadas e superamos esses desafios", disse Rodrigues, do Metrô.

A equipe de Geraldo Alckmin, governador pelo PSDB na época da promessa do monotrilho, afirma que o prazo foi definido após ouvir o mercado e que a Lava Jato afetou as condições financeiras do setor. Alckmin (PSB) é hoje vice-presidente da República.

Em 2010, o projeto com 18 estações era estimado em R$ 2,9 bilhões, cerca de R$ 7,1 bilhões em valores corrigidos pela inflação. O montante seria dividido entre os governos federal, estadual e municipal.

O custo total da primeira etapa da obra ficou em R$ 5,97 bilhões. De acordo com o governo do Estado, o valor atual inclui estruturas que atenderão à linha e despesas dos contratos paralisados.

O Metrô afirma que ainda pretende construir as outras dez paradas, completando o trecho até as estações São Paulo-Morumbi, da Linha 4-Amarela, de um lado, e Jabaquara, da Linha 1-Azul, do outro.

O governo prevê contratar ainda neste ano o projeto técnico para quatro novas estações: Panamby, Paraisópolis, Américo Maurano e Vila Paulista. A expectativa é iniciar a construção em 2029, com estimativa preliminar de entrega em 2031.