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Fazenda mira 37 fintechs ligadas à movimentação de recursos de bets ilegais

Decreto autoriza bloqueio administrativo de valores; Receita Federal aponta fluxo bilionário em operações relacionadas ao setor

Por Estadao Conteudo Publicado em 19/06/2026 às 13:21
O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA) Jefferson Rudy/Agência Senado

O Ministério da Fazenda estima que 37 fintechs, que funcionam sem autorização específica do Banco Central por serem de pequeno porte, movimentam grande parte dos recursos de bets ilegais no País. Essas instituições devem estar entre os principais alvos de um decreto assinado nesta sexta-feira, que permite ao governo bloquear administrativamente esse dinheiro.

“Temos indícios de que essas 37 instituições financeiras que deram movimentação às bets ilegais são reincidentes e têm proximidade com outras investigações que correm na Polícia Federal, nos órgãos competentes, na inteligência da Receita”, afirmou o ministro da Fazenda, Dario Durigan, durante entrevista coletiva sobre o tema.

O governo não apresentou estimativas sobre o total de recursos que poderá ser bloqueado e destinado ao Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) com base no decreto. Segundo o secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, no entanto, o montante é bilionário, considerando valores envolvidos em operações da Receita e da Polícia Federal contra bets ilegais.

Na quinta-feira, 18, a Justiça autorizou o bloqueio de R$ 145 milhões em uma operação contra bets ilegais que haviam sido autorizadas a operar irregularmente pelo município de Bodó (RN). De acordo com Barreirinhas, a Receita identificou movimentação de R$ 50 bilhões no local, o que indica um fluxo expressivo de recursos por meio de instituições financeiras.

“Agora, nós temos um instrumento muito poderoso de asfixia desse pilar financeiro, dessas organizações criminosas”, declarou o secretário da Receita.

Aperto regulatório

O governo informou que não pode divulgar a lista dessas instituições. Segundo a secretária de Prêmios e Apostas, Daniele Cardoso, a maior parte é formada por instituições de pagamento (IPs) que operam sem autorização do Banco Central por não terem atingido o volume mínimo de recursos movimentados que exigiria a autorização.

O Banco Central vem ampliando as exigências regulatórias para esse tipo de instituição. Desde setembro de 2025, todas as novas IPs precisam solicitar autorização para funcionar, independentemente do volume movimentado. A autarquia também aumentou as exigências de capital social para o funcionamento de IPs e de diversas outras instituições.