SEGURANÇA HÍDRICA

São Paulo muda critério de monitoramento da água na região metropolitana

Nova metodologia passa a usar série histórica de 15 anos e inclui períodos com El Niño, La Niña e estiagens recentes

Por Estadao Conteudo Publicado em 19/06/2026 às 13:10
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

O governo de São Paulo anunciou nesta sexta-feira, 19, alterações na metodologia usada para monitorar a segurança hídrica da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP). O novo modelo passará a considerar uma série histórica de 15 anos, incluindo períodos influenciados por fenômenos climáticos como El Niño e La Niña.

Segundo o Estado, a atualização tem o objetivo de ampliar a capacidade de antecipação de riscos em um contexto de mudanças climáticas e reforçar a segurança do abastecimento.

A série histórica usada anteriormente tinha início em 2021. Com a ampliação, as projeções poderão incorporar períodos de eventos climáticos extremos e episódios recentes de estiagem, conforme explicou a secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo, Natália Resende.

“Conseguimos ver, indiretamente, como os reservatórios se comportam. Normalmente, na La Niña há uma redução das chuvas; no El Niño, um aumento”, afirmou.

As mudanças também incluem a criação de uma curva específica para o Sistema Cantareira, responsável por cerca de metade da disponibilidade hídrica do Sistema Integrado Metropolitano (SIM). A metodologia ainda altera a periodicidade de avaliação das faixas de contingência, que passarão a ser analisadas mensalmente pelas agências reguladoras.

De acordo com a diretora-presidente da SP Águas, Camila Viana, o Sistema Cantareira tem comportamento diferente dos demais mananciais que integram o SIM. No ciclo 2025/2026, o sistema registrou volume de chuvas equivalente a 62% da média histórica, contra 90% em 2024/2025, o que justificou a adoção de parâmetros próprios de acompanhamento.

Natália Resende afirmou que as alterações fazem parte da estratégia climática do Estado e buscam ampliar a prevenção diante de cenários de escassez hídrica. Segundo ela, São Paulo executa atualmente o maior programa de resiliência hídrica de sua história, com mais de R$ 25 bilhões em investimentos.

“Mesmo em um cenário de escassez crônica, estamos aumentando muito a nossa resiliência”, disse.

Faixas de atuação

As faixas de atuação previstas continuam inalteradas. Elas variam de 1 a 7 e servem como referência para medidas graduais de contingência. A faixa 1 prevê o Regime Diferenciado de Abastecimento (RDA). As demais contemplam gestão de demanda noturna de 8, 10, 12, 14 e 16 horas e, por fim, rodízio entre regiões.

Em todas as faixas também estão previstas ações de comunicação e suporte à população.

Segundo o diretor-presidente da Arsesp, Diego Domingues, a principal mudança está na periodicidade da avaliação. “O que muda é que, em vez de adotarmos o prazo de sete dias para avançarmos de faixa e 14 dias para voltarmos à faixa anterior, passaremos a avaliar mensalmente o cenário no Comitê de Integração das Agências”, afirmou.

Obras de resiliência hídrica

A secretaria também atualizou o cronograma de obras voltadas à segurança hídrica. Entre as entregas recentes da Sabesp estão as transferências Itapanhaú e Guaratuba, que acrescentaram 2,2 mil litros por segundo à oferta de água bruta.

Outros R$ 525 milhões estão sendo investidos na implantação de 31 reservatórios na Região Metropolitana de São Paulo.

Até o fim de 2026, estão previstas intervenções nas ETAs Rio Grande e Baixo Cotia, com acréscimo conjunto de 1,5 mil litros por segundo à capacidade do sistema. Para 2027, está prevista a conclusão da transposição Billings-Taiaçupeba, que adicionará mais 4 mil litros por segundo.