União Europeia reafirma apoio a Kiev e defende novas sanções à Rússia
António Costa disse que o bloco não pretende atuar apenas como mediador e cobrou mais pressão sobre Moscou
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, afirmou nesta sexta-feira, 19, que a União Europeia não pretende assumir apenas o papel de mediadora no conflito entre Rússia e Ucrânia. Após a cúpula do Conselho Europeu, ele reforçou que o bloco segue alinhado a Kiev.
Durante entrevista coletiva, Costa declarou que "a UE está do lado da Ucrânia" e afirmou que somente o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, tem legitimidade para negociar em nome do país.
"Não queremos ser apenas mediadores na questão da Ucrânia. Estamos com a Ucrânia durante a guerra e estaremos com eles depois da guerra", disse Costa.
Segundo o presidente do Conselho Europeu, o bloco não identifica "sinais críveis" de que Moscou esteja disposto a participar de negociações sérias neste momento. Ainda assim, ele informou que está criando um canal diplomático direto com a Rússia para comunicar as posições europeias.
"Precisamos ser capazes de transmitir nossas próprias mensagens diretamente à Rússia", afirmou.
Costa também defendeu que a chamada "coalizão dos voluntários", formada por países que apoiam militarmente Kiev, participe das discussões sobre futuras garantias de segurança para a Ucrânia. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que, "mais cedo ou mais tarde", a Rússia terá de voltar à mesa de negociações e que a Europa precisará apresentar uma posição unificada quando isso ocorrer.
As declarações foram acompanhadas de uma nova sinalização de endurecimento contra Moscou. Costa afirmou que "é hora de aumentar a pressão sobre a Rússia" e defendeu a aprovação rápida de novos pacotes de sanções.
Nas conclusões aprovadas pela cúpula, os líderes europeus reiteraram apoio "firme e inabalável" à soberania e à integridade territorial da Ucrânia. O documento também destacou que "o caminho para a paz não pode ser decidido sem a Ucrânia".
O texto afirma ainda que a União Europeia está pronta para ampliar seu engajamento diplomático, mas cobra que a Rússia aceite um cessar-fogo total e participe de "negociações significativas" para uma paz duradoura. O Conselho Europeu também defendeu a adoção célere do 21º pacote de sanções contra Moscou e reforçou o compromisso de ampliar a pressão econômica sobre o Kremlin.
Em outro tema, Costa criticou a falta de avanços da China na correção dos desequilíbrios comerciais globais. "Até agora, a China não entregou", afirmou. A discussão sobre desequilíbrios macroeconômicos globais fez parte da agenda da reunião dos líderes europeus.