INVESTIGAÇÃO

MPDFT mira PicPay, BRB e agentes públicos em apuração sobre consignados no DF

Operação cumpre 50 mandados em Brasília, Curitiba e São Paulo para investigar possíveis descontos irregulares em salários de servidores.

Por Agência Brasil Publicado em 19/06/2026 às 12:43
MPDFT apura suposta fraude em consignados de servidores do Distrito Federal

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) deflagrou, nesta sexta-feira (19), uma operação para investigar as investigações sobre um suposto esquema de fraudes na folha de pagamento dos servidores públicos do Distrito Federal.

A suspeita é de que contratos antigos de crédito consignados tenham gerado descontos irregulares em taxas de trabalhadores públicos distritais, com benefício a empresas particulares, associações e servidores públicos.

Entre os alvos dos 50 mandados judiciais de busca e apreensão cumpridos em Brasília (DF), Curitiba (PR) e São Paulo (SP), estão o banco digital PicPay e seu presidente-executivo, Eduardo Chedid Simões, além do Banco de Brasília (BRB), instituição financeira estatal cujo maior acionista é o Governo do Distrito Federal (GDF).

Também são alvos dos mandatos expedidos pelo Conselho Especial do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) a Secretaria de Economia do Distrito Federal, associações de servidores e pessoas físicas, incluindo o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.

Costa é investigado no âmbito da Operação Compliance Zero , que apura supostos crimes cometidos por executivos do Banco Master contra o Sistema Financeiro Nacional, com a colaboração de políticos e agentes públicos. Ele está preso desde abril deste ano.

Em nota, a Secretaria de Economia do Distrito Federal informou que promotores e policiais civis apreenderam equipamentos de trabalho usados ​​por servidores de massa. Segundo o órgão, os acordos para concessão de empréstimos consignados sob suspeita foram firmados em gestões anteriores.

“A secretaria esclarece que a investigação tem como objeto a conduta de agentes públicos, e não a atuação institucional da pasta”, informou o órgão distrital. A secretaria disse ainda que colabora com as investigações, prestando apoio ao cumprimento das diligências e à recolha dos materiais solicitados pelo MPDFT e pela Justiça.

O PicPay afirmou que não há irregularidade em suas operações e rejeitou as denúncias de cobranças indevidas nos créditos consignados contratados por servidores públicos do Distrito Federal.

“O valor antecipado foi disponibilizado no próprio cartão do cliente, depois de feita a solicitação por ele [servidor] mesmo, no aplicativo, sem intermediários ou associações e sem cobrança nessa modalidade”, informou o banco. A instituição também afirmou que seus produtos seguem as normas vigentes e passam por mecanismos de controle e supervisão.

A empresa declarou ainda que continuará colaborando com as autoridades e que confia na confirmação da regularidade de sua atuação.

Até a publicação da reportagem original, a assessoria do BRB não havia respondido à tentativa de contato da Agência Brasil . A agência também informou que não conseguiu contato com Eduardo Chedid Simões ou com seus advogados.

A defesa do ex-presidente do banco público, Paulo Henrique Costa, informou que ainda não teve acesso aos automóveis e que se manifestará após tomar conhecimento das novas suspeitas contra o cliente.