Estados Unidos ampliam ações para conter avanço da China, avaliam pesquisadores
Especialistas ouvidos pela Sputnik Brasil apontam que a disputa envolve liderança internacional, tecnologia, infraestrutura e cadeias produtivas globais
Enquanto a China busca consolidar sua influência no comércio global e reforçar sua posição como principal potência emergente do século XXI, os Estados Unidos ampliam iniciativas para conter o avanço de Pequim em diferentes frentes.
À Sputnik Brasil, Pedro Martins, doutorando em relações internacionais e pesquisador do Laboratório de Estudos de Ásia (Lab.Ásia) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), avalia que a ascensão chinesa desafia a liderança norte-americana, mas não representa uma ameaça à ordem internacional criada após a Segunda Guerra Mundial.
Segundo Martins, ao contrário do período da Guerra Fria, quando Estados Unidos e União Soviética disputavam influência com base em projetos ideológicos opostos, o embate atual está mais ligado à liderança de uma ordem já consolidada do que à sua substituição.
Para Gustavo Alejandro Cardozo, doutor em desenvolvimento regional e pesquisador sênior do Observa China, os Estados Unidos veem a China como o “único competidor com intenção e capacidade de remodelar o contexto internacional”. Ele lembra o contraste entre a crise financeira de 2008, que afetou o Ocidente, e o crescimento chinês, cenário que abriu espaço para a disputa.
Cardozo afirma que a estratégia norte-americana vai além da área militar e inclui esforços coordenados para limitar o avanço chinês em setores considerados estratégicos. Entre os exemplos citados estão a política de contenção no Indo-Pacífico, em parceria com aliados como Austrália e Nova Zelândia, e iniciativas na área tecnológica, como o CHIPS and Science Act, aprovado em 2022.
De acordo com o pesquisador, a disputa também envolve infraestrutura, inovação e cadeias produtivas globais.