SAÚDE DO IDOSO

Ministério da Saúde lança atendimento domiciliar para pessoas idosas

Padi Brasil prevê R$ 500 milhões para equipes multiprofissionais voltadas a idosos com limitações funcionais

Por Agência Brasil Publicado em 18/06/2026 às 18:42
Alexandre Padilha lança o Padi Brasil no Rio de Janeiro. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O Ministério da Saúde lançou nesta quinta-feira (18), no Rio de Janeiro, o Programa de Atenção Domiciliar à Pessoa Idosa (Padi Brasil). A iniciativa prevê investimento de R$ 500 milhões para estruturar e levar equipes multiprofissionais às casas de idosos com limitações funcionais e que não conseguem se deslocar até uma unidade de saúde.

As administrações municipais poderão solicitar a criação de novas equipes ou a ampliação das que já atuam na atenção básica. As medidas incluem aumento da carga horária de atendimento e contratação de novos profissionais, entre eles médicos especialistas. Até o momento, 2.733 municípios solicitaram adesão ao Padi Brasil, com pedido total de 3.677 equipes.

O repasse mensal para cada equipe poderá ter incremento de até R$ 10 mil por meio do programa, chegando a até R$ 57,5 mil mensais, conforme a modalidade da equipe multiprofissional: Ampliada, Complementar ou Estratégica.

De acordo com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, os grupos de trabalho são formados por profissionais de diferentes áreas da saúde e atuarão de forma integrada às equipes de Saúde da Família.

“O idoso vai receber a visita de profissionais especializados com um olhar especial para as condições deles, que têm dificuldades de mobilidade e não conseguem fazer atividades físicas. Serão desde médicos, fisioterapeutas, enfermeiros, terapeutas ocupacionais até assistentes sociais”, detalhou o ministro.

Segundo Padilha, cada município poderá escolher a composição profissional mais adequada a partir de um cardápio oferecido pelo Ministério da Saúde.

O governo federal prevê investir R$ 163,2 milhões em 2026 e R$ 329,3 milhões em 2027.

Envelhecimento saudável

Dados apresentados pelo Ministério da Saúde apontam que a expectativa de vida ao nascer no Brasil chegou a 76,6 anos em 2024. Atualmente, 80% da população idosa do país depende exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS) para atendimentos médicos. A estimativa é que existam cerca de 3 milhões de idosos acamados no território nacional acompanhados pela atenção primária.

Segundo o ministro da Saúde, o Padi Brasil se soma a outros programas já existentes para melhorar a qualidade de vida desse grupo da população.

“Já temos o Farmácia Popular, que garante remédio para hipertensão, diabetes e as fraldas geriátricas. Também o Mais Especialistas, que está reduzindo o tempo de espera das pessoas para cirurgias e exames especializados. Estamos reorganizando o SUS para cuidar melhor dos idosos no nosso país”, afirmou Padilha.

A Caderneta Brasileira da Pessoa Idosa é considerada uma ferramenta estratégica para monitorar as condições de saúde desse público. Ela está disponível em formato físico e digital, no aplicativo Meu SUS Digital.

O ministério também disponibiliza materiais educativos voltados a cuidadores, familiares e profissionais de saúde sobre prevenção de quedas e comunicação relacionada à demência.

Homenagem

Durante a cerimônia de lançamento, o Ministério da Saúde prestou homenagem à médica e advogada Guilhermina Maria Galvão Siqueira Gomes, cuja iniciativa inspirou o programa nacional.

Na década de 1990, Guilhermina atuou no Hospital Municipal Paulino Werneck, na Ilha do Governador, onde identificou que pacientes idosos recebiam alta e retornavam com frequência ao hospital por falta de acompanhamento adequado. A médica liderou a criação do Programa de Atenção Domiciliar (PAD) na unidade, oferecendo assistência médica, de enfermagem, fisioterapia, psicologia e apoio aos cuidadores familiares diretamente nas residências.