ECONOMIA GLOBAL

FMI vê risco fiscal em medidas contra choque de energia

Fundo aponta quase 900 ações em cerca de 170 países desde o início da guerra e alerta para desafios na retirada de apoios

Por Estadao Conteudo Publicado em 18/06/2026 às 18:08
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O Fundo Monetário Internacional (FMI) avalia que o choque de energia provocado pela guerra no Oriente Médio levou governos a adotar medidas pouco direcionadas e potencialmente caras em um cenário de orçamentos pressionados.

Segundo a instituição, caso as conversas de paz recentes resultem em rápida normalização do comércio e dos fluxos de petróleo, muitos países terão de enfrentar o desafio de retirar programas de apoio sem gerar turbulência social e econômica.

O FMI registrou quase 900 medidas adotadas em cerca de 170 países desde o início da guerra, envolvendo economias avançadas e emergentes. A resposta tem sido marcada principalmente por políticas fiscais, com governos tentando reduzir o impacto dos preços mais altos ao limitar o repasse para consumidores e empresas.

De acordo com o Fundo, a composição e a sequência das ações lembram as respostas ao choque energético de 2022. O contexto atual, porém, é considerado mais adverso, com aumento dos custos de serviço da dívida e espaço fiscal ainda limitado, o que torna o desenho das políticas mais decisivo.

Nas economias avançadas, quase metade das medidas corresponde a subsídios para produtores e distribuidores de energia. Já nas economias emergentes, o conjunto de ações fiscais é mais variado, com ampliação de controles de preços e outras intervenções administrativas.

Em regiões como Oriente Médio e Ásia Central, instrumentos monetários e financeiros têm peso maior. Na África, predominam ações sobre preços e oferta. Em partes da Ásia, há gestão da demanda, incluindo conservação e racionamento.

O FMI também aponta que alguns governos adotaram o caminho considerado mais sustentável, embora politicamente difícil, ao permitir a alta de preços administrados, reduzir subsídios ou suspender mecanismos de suavização de preços.

“Essas medidas preservam sinais de mercado e contêm custos fiscais, mas exigem redes de proteção robustas para amparar famílias vulneráveis”, pondera a instituição.