ENSINO SUPERIOR

USP perde posições em ranking global, mas segue como melhor brasileira

Universidade ficou em 133º lugar no QS World 2027; instituição aponta mudanças metodológicas e maior competitividade internacional

Por Estadao Conteudo Publicado em 18/06/2026 às 17:44
USP Arquivo/USP

As universidades brasileiras classificadas no ranking internacional QS World 2027 registraram queda generalizada neste ano. Melhor colocada entre as instituições do país, a Universidade de São Paulo (USP) caiu 25 posições e passou a ocupar o 133º lugar na classificação geral.

Depois de alcançar, em 2024, a melhor colocação já obtida por uma universidade brasileira no ranking, a 85ª posição, a USP caiu nos três levantamentos seguintes e deixou o grupo das 100 melhores no ano passado.

Ao comentar o resultado, a coordenadora do Escritório de Gestão de Indicadores de Desempenho Acadêmico (Egida) da USP, Renata Eloah de Lucena Ferretti-Rebustini, destacou o cenário internacional e o aumento da competitividade entre instituições.

“Na 133ª posição geral, a USP teve um desempenho superior ao de 91,2% das 1.504 instituições classificadas, do total de quase 9 mil avaliadas. Apesar do bom desempenho observado, houve queda de posição geral. Ao mesmo tempo que se observam mudanças metodológicas, o ingresso de novas instituições com maior competitividade contribui para a dinâmica de reposicionamento das universidades neste ranking, incluindo a USP”, afirmou Renata.

De acordo com o ranking, USP e Unicamp permanecem entre as 100 melhores universidades do mundo no indicador de reputação acadêmica. Já a internacionalização, que considera a proporção de docentes e estudantes internacionais, aparece como uma das fragilidades estruturais das instituições brasileiras.

Nenhuma instituição de ensino superior do Brasil subiu na classificação. Ao todo, 14 caíram de posição e oito permaneceram estáveis. Principal centro de pesquisa da América Latina, o país acompanha uma tendência regional: entre as 116 universidades latino-americanas anteriormente classificadas, 60 caíram, 47 ficaram estáveis e apenas nove subiram.

Nesta edição, entre as instituições da América Latina, a USP aparece na terceira colocação geral. A Universidade de Buenos Aires (UBA) lidera o recorte regional, na 84ª posição, seguida pela Pontifícia Universidade Católica do Chile, em 119º lugar.

Renata afirmou que há um movimento de queda entre universidades latino-americanas. “De fato, temos observado um padrão de queda de posição das universidades latino-americanas, de um modo geral. Apesar da variação na pontuação da USP em relação à edição anterior, a Universidade permanece ocupando o 1º lugar entre as instituições brasileiras. Estes resultados devem ser entendidos como instrumentos de monitoramento e gestão, capazes de subsidiar estratégias institucionais voltadas ao aprimoramento contínuo da pesquisa, da internacionalização e do impacto social da USP”, disse.

O Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) manteve a liderança do ranking pelo 15º ano consecutivo. O Imperial College London ocupa o segundo lugar pelo terceiro ano seguido, agora empatado com a Universidade de Stanford, que subiu uma posição em relação ao ano passado.

O que o ranking avalia?

O QS World University Rankings é definido a partir das pontuações das instituições em nove indicadores-chave, distribuídos em cinco pilares.

Pesquisa e Descoberta (peso: 50%)

Reputação Acadêmica (30%): a QS realiza pesquisa com acadêmicos de diferentes países para identificar quais universidades são consideradas excelentes em suas áreas.

Citações por Professor (20%): mede quantas vezes as pesquisas da universidade foram citadas por outros cientistas. Quanto mais citada, maior a relevância considerada.

Empregabilidade e Resultados (peso: 20%)

Reputação entre Empregadores (15%): pesquisa global com empresas para saber de quais universidades elas preferem contratar.

Resultado de empregabilidade (5%): avalia se a universidade garante alto nível de empregabilidade e forma egressos com impacto significativo na sociedade.

Internacionalização (peso: 15%)

Professores Estrangeiros (5%): mede a proporção de docentes de outros países nos quadros da universidade.

Estudantes Internacionais (5%): considera a proporção de estudantes estrangeiros em relação ao corpo discente.

Rede Internacional de Pesquisa (5%): avalia se a universidade mantém parcerias duradouras e publica pesquisas com instituições de outros países, considerando a diversidade de países e a continuidade das colaborações.

Experiência de Aprendizado (peso: 10%)

Proporção de Professores por Aluno (10%): considera quantos professores e integrantes do pessoal acadêmico, como monitores, a instituição possui em relação ao número de alunos.

Sustentabilidade (peso: 5%)

Sustentabilidade (5%): avalia o impacto social e ambiental da universidade com base na relevância de suas pesquisas para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, em projetos ambientais no campus e no papel da instituição como grande empregadora.