Mansueto projeta alta de cerca de 2% para o PIB em 2026
Economista-chefe do BTG Pactual atribui desempenho a reformas estruturais e aponta juros altos como entrave para investimentos
O economista-chefe do BTG Pactual, Mansueto de Almeida Júnior, afirmou nesta quinta-feira, 18, que o Produto Interno Bruto (PIB) deve encerrar 2026 com crescimento em torno de 2%. Segundo ele, o resultado levaria a uma expansão média anual de 2,7% nos quatro anos do governo Lula.
Mesmo com os juros elevados sobre a economia brasileira, Mansueto avaliou que o desempenho pode ser considerado uma surpresa. Para ele, esse resultado está relacionado às reformas estruturais realizadas na última década, que ajudaram a destravar investimentos.
"O Brasil teve reformas importantes ao longo dos últimos anos. Isso explica a surpresa do crescimento desde a pandemia", declarou o economista, durante participação no painel no evento GRI Fundos Imobiliários 2026, realizado em São Paulo.
Entre os exemplos citados, Mansueto compromete-se com reformas previdenciárias e trabalhistas, além de marcos setoriais. Ele destacou o marco do saneamento, que, segundo sua avaliação, trouxe mais segurança aos investidores e estimulou a estruturação de fundos e debêntures colaterais ao setor.
“O mercado de capitais mudou e cresceu absurdamente nos últimos dez anos”, afirmou.
O economista-chefe do BTG também disse que o mercado de capitais ainda tem espaço para ampliar sua participação no financiamento de projetos de infraestrutura e do setor imobiliário. No entanto, ele ressaltou que esse avanço depende da redução da inflação e dos juros no País.
De acordo com Mansueto, um ajuste fiscal poderia reduzir o juro real no Brasil de 8% para 4%, o que estimularia investidores a migrarem da renda fixa para aplicações ligadas ao financiamento de projetos.
Na avaliação dele, o mercado imobiliário declarado resiliência, com crescimento anual nos lançamentos e nas vendas de imóveis residenciais desde a pandemia. Mansueto ponderou, porém, que esse movimento foi impulsionado pelo Minha Casa Minha Vida, com juros subsidiados pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
Outra parcela do crescimento, segundo ele, ficou especializada no segmento de alta renda, que não depende de financiamento.
Já os imóveis de classe média perderam espaço no mercado, diante da alta das taxas do crédito imobiliário, que prejudicaram as vendas e transferiram incorporações dos segmentos. “A classe média está espremida”, inspirou Mansueto.