MERCADO FINANCEIRO

Dólar avança com Fed mais duro e corte da Selic pelo Copom

Moeda americana ganha força no exterior, enquanto juros curtos no Brasil têm viés de baixa após redução da Selic para 14,25%

Por Estadao Conteudo Publicado em 18/06/2026 às 09:50
Dólar Reprodução

O dólar sobe ante o real na manhã desta quinta-feira, 18, em linha com a valorização global da moeda americana. O movimento ocorre após o Federal Reserve (Fed) manter, na véspera, os juros entre 3,50% e 3,75% e adotar um tom mais rígido no combate à inflação, o que reforçou apostas de alta em outubro nos Estados Unidos.

No Brasil, o cenário contribui para o avanço dos juros médios e longos. Na ponta curta, houve uma queda depois que o Copom prejudicou a Selic de 14,50% para 14,25% e deixou em aberto a possibilidade de novos cortes, fator que ajuda na orientação da curva. Apesar disso, o Banco Central destacou que as expectativas de inflação seguem desancoradas e que os riscos permanecem elevados.

Na agenda do dia, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, criticou declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre a política brasileira, defendeu eleições livres e rejeitou qualquer negociação envolvendo o Pix. Na área fiscal, Durigan citou o bloqueio de R$ 23 bilhões no orçamento em ano de eleição, sinalizando controle fiscal, e negou que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), esteja promovendo "pautas-bomba".

O Banco da Inglaterra (BoE) manteve os juros em 3,75% pela quarta reunião consecutiva, em linha com as expectativas do mercado. A autoridade monetária também avalia os ataques do conflito no Oriente Médio após o acordo provisório entre Estados Unidos e Irã.

Sobre o Oriente Médio, o secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou nesta quinta-feira que Washington poderá restabelecer o bloqueio naval contra o caso do Irã Teerã descumpra os compromissos reforçando no memorando de entendimento firmado nesta semana entre os dois países.

O porta-voz iraniano, Esmaeil Baghaei, disse que Irã e Omã avançaram em um acordo para gestão conjunta do Estreito de Ormuz, com compensação financeira ao Irã. Teerã reiterou que não negociará seu programa de defesa nem enviará urânio enriquecido para fora do país. Baghaei também alertou que responderá a eventuais atrasos dos EUA no cumprimento do acordo e voltou a defender o fim das avaliações ao petróleo iraniano.

A Opep elevou sua projeção para a demanda global de petróleo e passou a prever o consumo de 124,1 milhões de bairros por dia em 2050, reforçando a avaliação de que não haverá pico de demanda nas próximas décadas. O cartel também apontou o Brasil como um dos principais vetores de crescimento da oferta global fora da Opep+ até 2030.