EUA podem restabelecer bloqueio contra o Irã se acordo for descumprido
Pete Hegseth afirmou que Washington suspendeu restrições a embarcações, mas mantém prontidão para retomar operações
O secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou nesta quinta-feira (18) que Washington poderá voltar a impor o bloqueio naval contra o caso do Irã Teerã descumpra os compromissos previstos no memorando de acordo firmado nesta semana entre os dois países.
De acordo com Hegseth, os EUA aceitaram suspender o bloqueio que, desde abril, limitava a circulação de embarcações com origem ou destino na costa iraniana. O secretário, porém, disse que o país segue preparado para retomar a pressão militar "se o Irã não fizer o que disse que fará". Ele acrescentou, em comentários aos jornalistas, que o Departamento de Guerra está "pronto para recomeçar" as operações, se houver necessidade.
O chefe do Pentágono afirmou ainda que as negociações e uma eventual ação militar americana continuarão técnicas na questão nuclear iraniana. Segundo ele, o objetivo dos Estados Unidos permanece sendo impedir que Teerã forneça armas nucleares.
Hegseth também disse que os países europeus estão dispostos a colaborar para garantir a navegação no Estreito de Ormuz. Apesar disso, cobrou uma atuação mais ampla dos aliados e citou diretamente o Reino Unido. “O Reino Unido precisa fazer mais, gastar mais e ajudar mais”, declarou, ao mencionar a relevância do acesso americano às bases militares britânicas e à instalação de Diego Garcia, no Oceano Índico.
As declarações ocorreram em Bruxelas, onde Hegseth ampliou a pressão sobre aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). O secretário anunciou uma revisão de seis meses da presença militar dos Estados Unidos na Europa e afirmou que o resultado dependerá da rapidez com que os países europeus assumam maior responsabilidade pela própria defesa.
Ele também criticou aliados que não autorizaram o uso de bases em seus territórios para operações americanas contra o Irã. Hegseth reiterou o plano do governo Trump de transformar a aliança em uma “Otan 3.0”, com menor dependência dos recursos militares dos EUA. Mesmo com a revisão estratégica, Washington afirmou que manterá o compromisso com a dissuasão nuclear da aliança.
*Com informações da Associated Press