MERCADO FINANCEIRO

Wall Street fecha em baixa após decisão do Fed e tensão entre EUA e Irã

Índices Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq recuaram em meio à manutenção dos juros nos EUA e a dúvidas sobre negociações com o Irã

Por Estadao Conteudo Publicado em 17/06/2026 às 17:33
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As bolsas de Nova York encerraram a quarta-feira em queda, pressionadas pela decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) de manter os juros e retirar a orientação futura em sua primeira decisão sob o comando de Kevin Warsh. O mercado também reagiu a relatos divergentes sobre o acordo entre Estados Unidos e Irã, o que reacendeu temores sobre a fragilidade das negociações.

O Dow Jones fechou em baixa de 0,98%, aos 51.492,55 pontos. O S&P 500 perdeu 1,21%, aos 7.420,10 pontos, enquanto o Nasdaq recuou 1,34%, encerrando o pregão em 26.021,66 pontos.

A cautela ganhou força em Wall Street ao longo da tarde e levou todos os setores do S&P 500 a fecharem no vermelho. Comunicação, com queda de 2,98%, e consumo discricionário, com recuo de 2,69%, lideraram as perdas. Até setores que iniciaram a sessão em alta, como tecnologia, que caiu 0,61%, perderam fôlego.

A primeira decisão do Fed sob Kevin Warsh reformulou o comunicado da autoridade monetária ao retirar perspectivas futuras e modificar a forma de classificar o desempenho da economia americana. Em entrevista coletiva, o presidente do BC dos EUA indicou que novas mudanças podem ocorrer e evitou comentar trajetórias de juros. Nas projeções e nos gráficos de pontos, porém, os dirigentes elevaram expectativas de inflação e sinalizaram aumento dos Fed Funds nos próximos anos.

Os bancos regionais ampliaram as perdas depois da decisão do Fed. O índice bancário KBW, do Nasdaq, caiu 0,36%. As ações do Western Alliance recuaram 3,74%, e as do Metropolitan Bank perderam 2,89%. Entre os grandes bancos, Goldman Sachs avançou 0,78% e Morgan Stanley subiu 1,87%, enquanto Wells Fargo caiu 1,46% e Bank of America recuou 0,55%.

Esta também foi a primeira menção do Fed ao Oriente Médio como possível fator de pressão inflacionária desde o início da guerra. Nesta quarta-feira, o presidente Donald Trump voltou a ameaçar o Irã com bombardeios caso o memorando de entendimento não seja assinado e um acordo final não seja alcançado. O cenário ocorre em meio a diferentes relatos da imprensa sobre as negociações entre os dois países e os termos do texto em discussão. As petrolíferas Chevron e ExxonMobil caíram 1,40% e 0,79%, respectivamente.

Parte das ações de tecnologia também foi afetada pelo ambiente de cautela, embora algumas empresas tenham destoado. A Micron subiu 2,20%, e a Broadcom avançou 4,30%, após receberem elevação de preço-alvo e manutenção de recomendação de compra pelo Citi e pelo JPMorgan, respectivamente. A Intel teve alta de 3,46%, acompanhando o anúncio de testes de um novo processo de produção de chips.

A Robinhood também contrariou o desempenho do setor cripto e saltou quase 9%, após receber elevação de preço-alvo depois de cortar o número de empregados em 10%.

A AST Spacemobile subiu 3,87%, após o sucesso em missão para colocar satélites em órbita. Já a rival SpaceX reverteu os ganhos registrados na abertura e caiu 4,95%.