AVIAÇÃO SUSTENTÁVEL

Petrobras comercializa lote inicial de combustível de aviação com óleo de soja certificado

Produto foi fabricado na Refinaria Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, e vendido à Vibra para distribuição ao setor aéreo

Por Estadao Conteudo Publicado em 17/06/2026 às 13:05
Petrobras © AP Photo / Eraldo Peres

A Petrobras concluiu a produção e a venda do primeiro lote de combustível sustentável de aviação produzido com óleo de soja certificado, segundo informou a companhia em nota. O produto foi fabricado na Refinaria Duque de Caxias (Reduc), no Rio de Janeiro, com óleo fornecido pela Bunge, e comercializado com a Vibra, que fará a distribuição ao mercado de aviação.

O lote totaliza 3,8 mil metros cúbicos e foi produzido por coprocessamento, técnica que permite integrar matéria-prima renovável à estrutura tradicional de refino.

De acordo com a Petrobras, o combustível possui 1% de conteúdo renovável em sua composição. O percentual, segundo a companhia, está alinhado às obrigações previstas na Lei Combustível do Futuro para os primeiros anos de redução de emissões da aviação doméstica.

A estatal afirma que este é o primeiro combustível sustentável de aviação de soja do mundo com certificação internacional de baixo risco de mudança indireta do uso da terra. Conforme a Petrobras, a certificação garante que a matéria-prima não tem origem em desmatamento nem estimula esse processo.

A Bunge também informou, em nota, que ficou responsável pela originação e certificação da soja, além da produção do óleo vegetal em sua unidade de esmagamento de Rondonópolis (MT). Já a Vibra, por meio da BR Aviation, ficará encarregada da distribuição e comercialização do combustível para o setor aéreo.

As empresas afirmam que o produto tem potencial para reduzir as emissões de gases de efeito estufa em cerca de 70% em comparação ao querosene de aviação tradicional, conforme metodologia de análise de ciclo de vida. A iniciativa ocorre antes do início do mandato compulsório de combustível sustentável de aviação, previsto para 2027.

“Os dados oficiais de trabalhos brasileiros divulgados pela Conab demonstram que o ganho de produtividade da soja ao longo da última década foi maior que 20%, fruto de um extenso trabalho de desenvolvimento das melhores práticas no campo”, afirmou a diretora de Soluções Para Combustíveis Renováveis ​​da Bunge na América do Sul, Christini Kubo. “Agora, por meio desta iniciativa inédita, a Bunge é pioneira em comprovar e certificar essa realidade, cumprindo os mais rígidos padrões internacionais de sustentabilidade para a soja”, acrescentou.

A diretora de logística, negociações e mercados da Petrobras, Angélica Laureano, disse que a venda do lote demonstra o compromisso da companhia com a sustentabilidade e a transição energética. “Mais que isso, também reflete nosso propósito firme de cultivar a cadeia produtiva de nossos fornecedores para adotar práticas sustentáveis ​​verificáveis”, afirmou.

Segundo a Vibra, a companhia abastece seis em cada dez voos no País e tem papel estratégico no desenvolvimento desse mercado.

“Este projeto reforça nosso compromisso em fornecer as ferramentas possíveis para a transição energética no setor aéreo, impulsionando o desenvolvimento de uma cadeia nacional sustentável e preparando o mercado para o futuro do combustível sustentável de aviação no País”, afirmou o vice-presidente de Operações da Vibra, Daniel Drumond.