INVESTIGAÇÃO

Instrutores de rope jump ligados à morte de jovem são levados para CDP em Guarulhos

Trio estava preso em Piracicaba; defesa informou que a transferência teria ocorrido por risco à integridade física

Por Estadao Conteudo Publicado em 17/06/2026 às 13:07
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

Os instrutores Luis Felipe Feliciano Egoroff, Maicon Fernandes Cintra e Vitor de Freitas Gonçalves, responsáveis ​​pela operação do salto de salto à corda que terminou com a morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, em Limeira, no interior de São Paulo, foram transferidos de presídio nesta terça-feira, 16.

De acordo com a Secretaria de Administração Penitenciária, os três deram entrada no Centro de Detenção Provisória II (CDP) de Guarulhos, na Grande São Paulo, na tarde de terça-feira, 16. Antes, eles estavam no Centro de Detenção Provisória “Nelson Furlan”, em Piracicaba.

Segundo a defesa, a transferência ocorreu, conforme informações iniciais, por risco à integridade física dos presos. A informação foi repassada pelo advogado do trio, Rafael Gomes dos Santos.

Como estão as investigações?

Maria Eduarda morreu no sábado, 13, após saltar da Ponte do Esqueleto. Segundo a Polícia Civil, a vítima deveria estar presa a duas cordas de segurança, mas nenhuma delas estava instalada no momento da atividade.

A jovem foi lançada de uma altura de 40 metros sem que a corda estivesse devidamente presa ao corpo. O momento em que ela é jogada da Ponte do Esqueleto foi registrado em vídeo que circulou nas redes sociais.

Quem foi preso?

No sábado, a Polícia Militar prendeu seis pessoas pela morte de jovem, conforme informou a prefeitura de Limeira (SP) em comunicado oficial.

De acordo com a delegada Andrea Levy, responsável pela investigação, os três funcionários responsáveis ​​pela operação — Luis Felipe Feliciano Egoroff, Maicon Fernandes Cintra e Vitor de Freitas Gonçalves — permaneceram presos e afirmaram em depoimento que não se lembram de quem deveria instalar ou fiscalizar os equipamentos de segurança.

O caso é investigado como homicídio com dolo eventual, quando se assume o risco de provocar a morte mesmo sem a intenção direta de matar. Além da dinâmica do acidente, a polícia também apura o desaparecimento de uma câmera que estaria com a jovem no momento da queda.

Prefeitura diz que vai processar União

A prefeitura de Limeira afirmou que a “responsabilidade pela fiscalização, manutenção e controle de acesso à Ponte do Esqueleto é exclusivamente do governo federal”. A administração municipal comunicou que vai processar a União por “omissão”.

Posi da União

Ao Estadão, a Secretaria de Patrimônio da União (SPU), do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), lamentou “a morte trágica de um jovem durante atividade esportiva não autorizada na ponte do Esqueleto”.

A secretaria afirmou que a ponte “pertencia a trecho não implantado do ramal da RFFSA entre Limeira e Cordeirópolis, no interior de propriedades particulares” e que “uma transferência patrimonial para a superintendência da SPU de São Paulo foi finalizada em março de 2026”.

“Estamos sem entender”, diz instrutor

Os responsáveis ​​pela operação do salto de corda que terminou com a morte de Maria Eduarda afirmaram não saber explicar por que um jovem foi lançado da ponte sem as cordas de segurança.

Um dos investigados afirmou em depoimento à Polícia Civil, veiculado pelo portal g1, que as inspeções foram realizadas normalmente antes dos saltos.

“No dela estamos sem entender até agora”, declarou. Ao relatar o que aconteceu após a queda, ele disse ter descido até o local onde o jovem estava sendo socorrido.