INVESTIGAÇÃO

Operadores dizem não saber por que jovem saltou sem cordas em Limeira

Maria Eduarda Rodrigues de Freitas morreu após salto na Ponte do Esqueleto; Polícia Civil apura o caso como homicídio com dolo eventual

Por Estadao Conteudo Publicado em 17/06/2026 às 10:48
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

Os responsáveis ​​pela operação do salto de salto à corda que terminou com a morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, em Limeira, no interior de São Paulo, disseram não saber explicar por que um jovem foi lançado da ponte sem as cordas de segurança.

Um dos investigados afirmou em depoimento à Polícia Civil, veiculado pelo portal g1, que as inspeções eram feitas normalmente antes dos saltos. “No dela estamos sem entender até agora” , declarou.

Ao relatar o que ocorreu depois da queda, ele disse que desceu até o local onde a jovem estava sendo socorrida. "Tipo assim, eu estava na ponte, desci lá embaixo e tinha uma enfermeira fazendo RCP, manobra de emergência realizada quando alguém sofre parada cardiorrespiratória. Aí o resgate chegou e eu subi para o alto da ponte" , afirmou.

Maria Eduarda morreu no sábado, 13, depois de saltar da Ponte do Esqueleto. Segundo a Polícia Civil, ela deveria estar presa a duas cordas de segurança, mas nenhuma delas estava instalada no momento da atividade. A reportagem tenta contato com os advogados dos responsáveis.

De acordo com a delegada Andrea Levy, responsável pela investigação, os três funcionários ligados à operação e que permaneceram presos afirmaram em depoimento que não se lembravam de quem deveria instalar ou fiscalizar os equipamentos de segurança.

Outra investigação disse que a instalação e a conferência das cordas foram feitas de forma alternada entre os membros da operação, sem uma definição sobre quem executaria cada etapa em cada salto.

"Às vezes a gente coloca, outro confer; outro confer, outro coloca. Às vezes a gente faz, outro vem e vê se está certo. Era mais ou menos isso" , afirmou. Questionado sobre quem deveria ter instalado ou fiscalizado as cordas no salto de Maria Eduarda, o funcionário respondeu: “Não me lembro” .

Ele classificou o caso como uma fatalidade e afirmou que os envolvidos não conseguiram compreender como o acidente aconteceu. "Foi realmente uma fatalidade. Ninguém sai de casa para cometer um negócio desse, matar uma pessoa. Todo mundo lá é tarado por esporte. É uma rapaziada que gosta, e se junta para fazer isso" , declarou.

O investigado também disse que a ausência das cordas era algo difícil de entender. "A gente fala que não entende porque é visível a corda. É difícil entender como não viu" , afirmou. Segundo ele, a colocação das cordas normalmente era feita por ele e por outro membro da equipe. “Sou eu e ele que faz” , disse.

O caso é investigado como homicídio com dolo eventual, quando se assume o risco de provocar a morte mesmo sem a intenção direta de matar. Além da dinâmica do acidente, a polícia também apura o desaparecimento de uma câmera que estaria com a jovem no momento da queda.

Testemunhas ouvidas pela reportagem afirmaram que os responsáveis ​​pela atividade organizaram os saltos por meio de um grupo de WhatsApp. Segundo os relatos, o grupo reuniu participantes das atividades e compartilhou orientações sobre segurança, além de dicas sobre vídeos com potencial de viralização nas redes sociais.

O coordenador pedagógico Rafael Goulart, que estava no local no dia do acidente, afirmou que os participantes descobriram apenas após uma tragédia que o grupo responsável pelos saltos não possuía registro formal. "Essa empresa, na verdade, não existe. Eles não tinham registro, não tinham CNPJ" , afirmou.