Carney deixa encontro do G7 sem agenda bilateral formal com Trump
Premiê canadense afirmou ter conversado várias vezes com o presidente dos EUA durante a cúpula e rejeitou leitura de desprestígio
O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, deixará a cúpula do G7 nesta quarta-feira (17) sem uma reunião formal com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em um momento de incerteza sobre o futuro do acordo de livre comércio entre os dois países.
Apesar de os líderes canadenses normalmente realizarem encontros bilaterais com presidentes americanos nesse tipo de evento, Carney declarou que a ausência de uma reunião formal representava um gesto de desprestígio.
“Eu não tiraria uma grande mensagem disso”, afirmou. "Tive sete ou oito conversas com o presidente Trump ao longo das últimas 36 horas. Vou conversar mais hoje sobre uma ampla gama de temas - economia, relações bilaterais, o aniversário dele, inteligência artificial, Ucrânia e, obviamente, Irã."
As negociações ocorreram em um momento considerado crucial para a versão mais recente do pacto de livre comércio norte-americano, que integra as economias do Canadá, Estados Unidos e México desde o início dos anos 1990. O acordo precisa ser renovado em 1º de julho, e Trump afirmou na semana passada que talvez não o renove.
Para o Canadá, a manutenção do pacto é considerada essencial, já que cerca de 75% das exportações do país têm os Estados Unidos como destino.
Dominic LeBlanc, ministro canadense responsável pela relação comercial com os Estados Unidos, e Janice Charette, principal negociadora do Canadá, reuniram-se durante a cúpula com o representante do Comércio dos EUA, Jamieson Greer. Segundo LeBlanc, houve avanços.
O ministro já havia afirmado anteriormente acreditar que Washington pode querer submeter o acordo às revisões anuais e que o governo Trump pode buscar ampliar a incerteza sobre sua continuidade.
Até agora, o presidente francês Emmanuel Macron, anfitrião do encontro, foi o único líder do G7 a realizar uma reunião bilateral com Trump. O presidente americano também teve encontros individuais com líderes de países fora do G7: Catar, Emirados Árabes Unidos, Egito e Índia. Carney relatou que o país tradicionalmente se reuniu com o presidente dos Estados Unidos.
Em uma das interações, Carney recorreu ao humor para se aproximar de Trump. Um microfone captou os dois brincando sobre “roubar” o relógio de Macron.
Depois, a conversa passou para um assunto mais sério: a entrada de veículos elétricos chineses no mercado canadense. Um microfone registrou Carney dizendo que menos de 3% do mercado do Canadá, cerca de 49 mil carros, seria autorizado a vir da China após um acordo com Pequim.
"É um limite. Nós limitamos - uma linha dura", disse Carney. “Achei que você até gostaria disso.”
“Isso é bom, eu gosto disso”, respondeu Trump.
Em posição diferente da aprovação dos Estados Unidos, o Canadá prometeu no início deste ano em reduzir sua tarifa de 100% sobre carros elétricos chineses em troca de tarifas menores sobre produtos agrícolas canadenses. Carney afirmou ter tratado do tema com Trump duas vezes.
"Não me surpreende que o presidente dos Estados Unidos não acompanhe cada detalhe de todos os acordos que o Canadá faz, mas ele gostou do formato. Na verdade, também contou uma conversa de acompanhamento", afirmou.
Peter Boehm, senador canadense que coordena diversas cúpulas do G7 pelo país, disse que Carney teria bastante tempo para conversar com Trump à margem do encontro.
“Eu não veria isso como uma desfeita”, disse. “É impressionante quanto tempo os líderes fornecem, de fato, para conversar.”
Fonte: Associated Press.
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