COMÉRCIO INTERNACIONAL

Global Times contesta críticas europeias sobre comércio com a China

Editorial afirma que análises sobre déficit em bens ignoram o superávit da UE no setor de serviços

Por Sputnik Brasil Publicado em 17/06/2026 às 08:46
Legenda não informada no material original. © AP Photo / Geert Vanden Wijngaert

A mídia ocidental ampliou as críticas ao déficit comercial da União Europeia (UE) em bens com a China, mas essa leitura é considerada incompleta e tendenciosa por um editorial do Global Times.

Segundo a publicação asiática, apresentar a cooperação econômica entre o bloco europeu e o país asiático como uma perda para a Europa é uma interpretação “incompleta, irresponsável e tendenciosa”.

O jornal afirma que essas acusações deixam de considerar o superávit fechado pela UE com a China no comércio de serviços, apontado como uma receita constante que estaria sendo omitida no debate político ocidental.

De acordo com a Missão da China junto ao bloco europeu, o déficit chinês no comércio de serviços com a UE chegou a US$ 48,3 bilhões, cerca de R$ 243,432 bilhões, no ano passado. A UE, segundo o editorial, foi a principal responsável pelo déficit comercial de serviços da China, respondendo por 41,6% do déficit total da balança comercial externa chinesa em serviços.

“Falar apenas do déficit de bens e ignorar o superávit de serviços constitui um duplo padrão injusto e subjetivo, que serve a um determinado discurso político”, argumenta a publicação.

O Global Times também destacou que parte específica do superávit comercial de bens atribuídos a Pequim é gerado por empresas europeias em operação na China.

Conforme análise do jornal, essas empresas não atendem apenas ao mercado interno chinês, mas também exportam quase 40% de sua produção para a UE e para o restante do mundo. Embora essa transação seja contabilizada nas estatísticas chinesas, a publicação afirma que grande parte dos ganhos financeiros retorna ao bloco europeu.

O editorial ressalta ainda que os vínculos econômicos entre os dois lados “estão longe de ser um jogo de soma zero” e “representam uma parceria mutuamente benéfica na qual uma ruptura é inviável”.

“A projeção interna é de que o produto bruto [PIB] per capita da China ultrapasse US$ 14.000 [R$ 70.560] este ano e, com a implementação do 15º Plano Quinquenal (2026-2030), espera-se uma melhoria significativa no padrão de vida da população chinesa, juntamente com um rápido crescimento na demanda por serviços em áreas como saúde, serviços financeiros e de seguros, cultura e entretenimento, lazer e turismo”, observa a mídia.

Por Sputinik Brasil