G7

Lula e Trump trocam cumprimento em evento social da cúpula do G7

Cumprimento ocorreu em jantar restrito a chefes de Estado, sem registro em imagens; Itamaraty descartou negociação de bilateral

Por Estadao Conteudo Publicado em 17/06/2026 às 07:53
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva Ricardo Stuckert/PR

Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump se cumpriram na noite de terça-feira, 16, durante um evento social da cúpula do G7, em Évian-les-Bains.

Os dois participaram da apresentação de um coral organizado pelo governo francês, seguido de um jantar. Segundo relatos, foi nesse intervalo, entre a apresentação e o jantar oferecido por Emmanuel Macron, que Lula e Trump trocaram cumprimentos.

Uma das principais expectativas da viagem de Lula aos Alpes Franceses era a possibilidade de um encontro com o presidente americano para tratar da ameaça de um novo tarifaço ao Brasil. O Itamaraty, porém, descartou rapidamente que uma negociação bilateral estava em negociação.

Com isso, a expectativa passou a ser de que os dois pudessem trocar algumas palavras nos corredores da cúpula. Até o evento social, Lula e Trump praticamente não tiveram interação nos momentos em que estiveram juntos.

O evento foi restrito aos chefes de Estado e não houve registro em imagens do cumprimento.

Durante a chamada foto de família do G7 ampliada, que inclui países convidados, Lula e Trump ficaram distantes e não interagiram. O mesmo ocorreu na reunião do G7 ampliada sobre solidariedade internacional, quando Lula fez um discurso com críticas veladas ao americano.

Sem citar diretamente Washington, Lula criticou medidas protecionistas adotadas por países ricos e defendeu que o combate ao crime organizado deve respeitar a soberania nacional de cada país.

"O neoliberalismo agravou a desigualdade econômica e a crise política que hoje assolam as democracias. Agora, o protecionismo e o unilateralismo ressurgem como respostas falaciosas para a complexidade dos nossos problemas", disse o presidente.

"Outros temas, como o combate aos crimes transnacionais, também devem fazer parte da agenda de desenvolvimento. Um deles é o desafio do crime organizado, que aterroriza comunidades e desvia recursos públicos que deveriam ser direcionados para a construção de escolas, hospitais e estradas. Esse esforço deve levar em conta o respeito à soberania dos Estados", afirmou Lula.

Na mesa da reunião, Lula ficou praticamente à frente de Donald Trump. O republicano é descrito como cético em relação ao multilateralismo e tem adotado medidas protecionistas nos Estados Unidos, como as tarifas, criando o que chama de “Doutrina Donroe”, em referência à Doutrina Monroe.

Desde o ano passado, quando Trump impôs tarifas pesadas ao Brasil durante o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por golpe de Estado, Lula tem reforçado o discurso da soberania.

Neste ano, o presidente intensificou essa retórica depois que o pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, visitou Trump na Casa Branca, dias antes do anúncio das tarifas e da inclusão das facções criminosas brasileiras na lista de grupos terroristas.

Nesta quarta-feira, 17, Lula faz um novo discurso na reunião “Relançar um crescimento econômico equilibrado, compartilhado e sustentado em benefício de todos”, que começou atrasada.

Também está prevista uma negociação bilateral com o presidente do Egito, Abdel Fattah El-Sisi, além de um almoço de trabalho sobre inteligência artificial com participação de Big Techs.

O presidente ucraniano Volodmir Zelenski solicitou uma reunião bilateral com Lula, que se mostrou disposto a recebê-lo. Nesta quarta, o governo informou que o encontro estava previsto, mas havia risco de cancelamento caso os eventos anteriores atrasassem.