POLÍTICA

Condenação de Eduardo Bolsonaro amplia embate entre PL e PT

Decisão unânime da Primeira Turma do STF tornou o ex-parlamentar inelegível e provocou reações opostas entre bolsonaristas e petistas

Por Sputnik Brasil Publicado em 17/06/2026 às 07:32
Legenda não informada no material original. © Foto / Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil

A condenação de Eduardo Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal voltou a intensificar a disputa política entre bolsonaristas e petistas. Aliados do ex-deputado do PL classificaram a decisão como perseguição e injustiça, enquanto integrantes do PT passaram a usar o caso para reforçar o discurso de soberania nacional.

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Eduardo Bolsonaro, por unanimidade, por coação no curso do processo. A acusação aponta que ele teria articulado uma tentativa de pressionar os Estados Unidos a intimidarem autoridades do Judiciário brasileiro.

Segundo o texto original, a suposta manobra tinha como objetivo impedir o julgamento da trama golpista que levou à condenação de Jair Bolsonaro.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência e irmão de Eduardo, afirmou que o processo é nulo e acusou o ministro Alexandre de Moraes de agir por motivação pessoal.

“Alexandre de Moraes deveria se declarar impedido, já que em tese é a vítima [...]. Parece claramente uma vingança, uma questão pessoal [...]. Não estamos vivendo democracia plena”, disse Flávio nas redes sociais.

O senador, que apesar da acusação exerce seu mandato livremente, declarou ainda que o STF não deveria julgar o caso, uma vez que Eduardo não tem mais foro privilegiado.

De acordo com um jornal de grande circulação no país, Rogério Marinho (PL), coordenador da pré-campanha de Flávio, comparou o episódio às ações de integrantes do Partido dos Trabalhadores (PT) no exterior durante a prisão de Lula. Ele alegou que, naquele período, tais iniciativas foram tratadas como legítimas.

Para Marinho, recorrer a instâncias internacionais faz parte da democracia, mas não deveria receber interpretações diferentes conforme o autor da crítica.

Entre petistas, a condenação foi recebida como demonstração de que Eduardo atuou contra os interesses do país. Deputados como Lindbergh Farias e Carlos Zarattini, ambos do PT, chamaram o ex-parlamentar de traidor da pátria e defenderam que ele cumpra pena no Brasil.

Eduardo já havia perdido o mandato na Câmara em dezembro de 2025, após decisão da Mesa Diretora por excesso de faltas. Com a condenação, ele passa a ficar inelegível imediatamente, sem necessidade de trânsito em julgado, por se tratar de decisão tomada por órgão colegiado.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) foi notificado para registrar a inelegibilidade.

A defesa ainda pode apresentar embargos de declaração ao STF, recurso que não deve mudar o resultado, conforme o material original. Como Eduardo está nos Estados Unidos, o governo brasileiro pode solicitar sua inclusão na lista de procurados da Interpol.

A decisão, porém, pode abrir espaço para novos desdobramentos jurídicos e políticos, especialmente diante da disputa eleitoral que se aproxima, segundo a apuração.

Por Sputinik Brasil