Eduardo Bolsonaro contesta condenação e diz que não foi notificado pelo STF
Ex-deputado afirma ter sabido da decisão pela imprensa; Primeira Turma fixou pena de quatro anos e dois meses em regime semiaberto
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro reagiu à condenação a quatro anos e dois meses de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por coação no processo da trama golpista. Em manifestação nas redes sociais, ele acusou a Corte de não seguir o rito legal e afirmou que tomou conhecimento da decisão apenas pela imprensa.
Segundo o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a condenação trata de um crime que ele diz desconhecer. Eduardo também afirmou que, até o momento, não teria sido notificado formalmente pelo STF. Ele vive nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025, quando pediu licença do cargo. Após sucessivas faltas, teve o mandato cassado pela Mesa Diretora da Câmara dos Deputados.
“Reitero: até hoje não fui citado na forma da lei. Sigo aguardando notificação regular, por carta rogatória, em local certo e sabido. Esse mesmo instrumento foi expedido a outro acusado no processo, mas a mim nunca foi cumprido. Se o meio existe e a própria Corte o reconhece, por que não a mim?”, questionou.
Eduardo Bolsonaro declarou ainda que mora nos Estados Unidos em um endereço que, segundo ele, “a imprensa brasileira fez questão de localizar, filmar e estampar, mandando repórteres até minha porta”. Apesar disso, disse que nunca recebeu notificação judicial no local para que o “devido processo legal” fosse cumprido.
Em situações desse tipo, a notificação ocorre por cooperação jurídica internacional, por meio de carta rogatória enviada às autoridades do país onde o réu reside. Quando o endereço é incerto ou desconhecido, a legislação prevê a notificação por edital, medida aplicada no caso do ex-deputado.
“Tomo ciência dos fatos pelos jornais, e conhecer a acusação por reportagem não substitui a citação prevista em lei e nos acordos internacionais dos quais o Brasil é signatário. [O ministro Alexandre de] Moraes pode não gostar, mas não pode escolher quando segui-los. Mais uma vez, é vítima e juiz do mesmo caso, e é por isso que o Brasil passa vergonha internacional de forma recorrente, como até mesmo a mídia tradicional hoje já aponta com frequência”, acrescentou.
Ao final, o ex-deputado sustentou que a sentença é nula porque, segundo ele, o STF não teria observado o devido processo legal. “Por isso, o real objetivo deste julgamento sem pé nem cabeça é apenas um: tirar meu nome das eleições”, concluiu.
Condenação prevê prisão em regime semiaberto e inelegibilidade
Mais cedo, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal condenou Eduardo Bolsonaro a quatro anos e dois meses de prisão em regime semiaberto. A decisão ainda cabe recurso. Com a condenação, o ex-parlamentar está inelegível.
De acordo com o colegiado, Eduardo tentou interferir no julgamento que resultou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro e de integrantes do governo anterior por tentativa de golpe de Estado. A decisão foi unânime. Acompanharam o relator, Alexandre de Moraes, os demais integrantes da Primeira Turma: Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino.
Moraes votou pela condenação do deputado cassado e afirmou que a atuação de um congressista deve se limitar às funções constitucionais. O ministro apresentou o voto ao analisar a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), que também havia se manifestado pela condenação.
“Não é função de deputado federal brasileiro fazer lobby no exterior contra o próprio país. Mesmo que estivesse no exercício do mandato, e não licenciado, não estaria acobertado pela imunidade parlamentar”, disse Moraes durante o julgamento.
O magistrado também afirmou que Eduardo Bolsonaro não comunicou à Câmara dos Deputados a mudança de domicílio para os Estados Unidos. Segundo Moraes, o ex-deputado estava no exterior para fugir da Justiça.