DIPLOMACIA

Zelenski solicita reunião com Lula durante cúpula do G7

Presidente brasileiro admite disposição para encontro, mas agenda só teria espaço na quarta-feira, último dia do evento

Por Estadao Conteudo Publicado em 16/06/2026 às 18:02
O presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy AP/Mindaugas Kulbis

O presidente da Ucrânia, Volodmir Zelenski, solicitou uma reunião bilateral com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a cúpula do G7, segundo uma fonte do governo. Lula afirmou estar disposto a se encontrar com o ucraniano, mas ainda não confirmou a reunião. Caso ocorra, o encontro só poderá ser realizado na quarta-feira, último dia da cúpula.

Zelenski busca ampliar o apoio de outros países para pressionar Vladimir Putin a assinar um acordo. Convidado para participar da cúpula, o presidente ucraniano foi o principal foco das discussões da manhã desta terça-feira, durante uma reunião sobre a guerra na Ucrânia.

Lula e Zelenski já tiveram divergências no passado em razão da proximidade do presidente brasileiro com Putin, mas os dois se reuniram durante a última Assembleia-Geral da ONU.

A cúpula do G7 começou nesta segunda-feira, 15, e segue até quarta-feira, 17, com a presença dos líderes da Alemanha, do Reino Unido, do Canadá, da França, da Itália, do Japão e dos Estados Unidos, além de líderes convidados de outros países. Lula foi convidado em fevereiro pela presidência francesa, mas aceitou o convite apenas no início deste mês. Ele chegou à cidade turística na segunda-feira e já se reuniu com Emmanuel Macron e com o presidente da Suíça, Guy Parmelin.

Nesta terça-feira, Lula também se reuniu com os líderes da União Europeia Ursula von der Leyen e António Costa. No encontro, foi definida a criação de um canal bilateral para tratar das barreiras europeias a produtos de proteína animal e siderurgia.

“Os três trataram de temas da agenda bilateral, em particular das medidas de restrição a produtos brasileiros adotadas recentemente pela parte europeia”, informou o Planalto em comunicado. “Definiram um mecanismo bilateral entre o Itamaraty e funcionários da Comissão, com vistas a identificar as dificuldades, tanto na área de produtos de origem animal quanto nos produtos siderúrgicos.”

Segundo o Itamaraty, o objetivo do mecanismo é buscar soluções que contemplem as preocupações europeias e os legítimos interesses exportadores do Brasil.

Funcionários do governo brasileiro explicaram que o mecanismo não será institucionalizado. Trata-se de um canal de diálogo em nível de assessores das diplomacias do Brasil e da União Europeia para tratar de questões técnicas que preocupam o bloco europeu.

Zelenski é recebido na cúpula

Volodmir Zelenski foi recebido por Macron nesta terça-feira antes de uma sessão de trabalho com os líderes do G7 sobre a guerra na Ucrânia. Intitulada “Construindo a paz e a segurança para a Ucrânia e a Europa”, a reunião começou às 10h no horário local, 5h no Brasil, e durou mais de uma hora.

Donald Trump chegou atrasado à reunião e não cumprimentou Zelenski, que foi recebido com um abraço pelo secretário de Estado Marco Rubio no corredor. O presidente ucraniano foi recebido calorosamente, com abraços e beijos, pelos demais líderes do G7.

Embora o subtexto da cúpula seja a preparação cada vez maior da Europa para um futuro com os Estados Unidos como parceiro menos confiável, Trump e Zelenski sentaram-se em lados opostos de Macron à mesa. A disposição indicou que a sessão de trabalho tinha como objetivo, ao menos, manter os EUA engajados.

As negociações com a Ucrânia ocorreram pouco depois de Donald Trump anunciar um acordo para encerrar a guerra de três meses e meio entre os EUA e o Irã. Trump afirmou ter tido boas conversas no domingo com Zelenski e Putin. “Agora que isso (o Irã) acabou, vamos nos concentrar nisso”, disse ele na cúpula do G7.

Nas últimas semanas, o conflito com o Irã ofuscou a guerra na Ucrânia, iniciada pelo presidente russo Vladimir Putin. Macron afirmou que tentará convencer Trump a manter o apoio à Ucrânia e a ampliar a pressão sobre a Rússia para ajudar a alcançar um acordo de paz.

Horas antes do início da cúpula do G7, a Rússia lançou centenas de drones e dezenas de mísseis contra as maiores cidades da Ucrânia. O ataque matou 11 pessoas e incendiou um importante local religioso.