CRIMES CIBERNÉTICOS

Comentários ofensivos sobre jovem morta em rope jump motivam pedidos de investigação

Parlamentares acionaram a Polícia Federal e o Ministério Público Federal após publicações com conteúdo sexual e misógino nas redes sociais

Por Estadao Conteudo Publicado em 16/06/2026 às 17:48
Reprodução

Alerta: o texto abaixo aborda temas sensíveis como violência contra a mulher, violência doméstica e estupro. Se você se identifica ou conhece alguém que está passando por esse tipo de problema, ligue 180 e denuncie.

A jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, que morreu após um salto de rope jump em Limeira, no interior de São Paulo, passou a ser alvo de comentários ofensivos e de cunho sexual nas redes sociais, incluindo referências à necrofilia, depois da repercussão do caso e da divulgação de fotos dela.

Entre as mensagens publicadas em postagens com imagens de Maria Eduarda estavam frases como “vou fazer concurso para o IML de Limeira” e “festa no IML”.

A situação provocou reação de parlamentares, que solicitaram apuração à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal. Em representação enviada à PF, a deputada federal Erika Hilton (PSOL) afirmou que as condutas “transcendem o mero comentário ofensivo para assumir caráter de incentivo, exaltação, naturalização e difusão de violência sexual”.

“Ao difundir publicamente mensagens dessa natureza, os responsáveis pelos perfis contribuem para a legitimação simbólica de práticas criminosas e para a banalização da violência sexual”, diz a representação apresentada pela parlamentar.

O pedido de Erika Hilton foi encaminhado à Diretoria de Combate a Crimes Cibernéticos da Polícia Federal, com solicitação de instauração de investigação criminal contra usuários da rede social X, antigo Twitter.

Procurada pelo Estadão, a Polícia Federal ainda não havia se manifestado. O Ministério Público de São Paulo (MPSP) informou que o caso foi enviado ao Ministério Público Federal (MPF) em São Paulo.

No ofício, a deputada também sustenta que as publicações contribuem para “a banalização da violência sexual e para a disseminação de discursos misóginos nas redes sociais”.

Erika Hilton pede a abertura de procedimento investigatório para apurar eventual prática dos crimes previstos nos artigos 212 e 287 do Código Penal, além da identificação dos responsáveis pelos perfis.

A deputada Tabata Amaral também acionou as autoridades. Em seu perfil no X, ela afirmou que entrou com uma ação no MPF para apurar crimes de ódio cibernéticos relacionados ao caso.

“Nem mesmo no leito de morte, nós, mulheres, temos paz. A jovem Maria Eduarda Rodrigues, morta após ser lançada sem corda em um salto de rope jump, está sendo vítima de uma série de comentários misóginos, com alusões a est*pro e necr*filia, na internet.”

“Em vez de verem uma mulher que perdeu a vida tragicamente, criminosos reduziram a imagem de Maria Eduarda a um objeto de deboche e crueldade. É nojento. E é a prova de que eles não perdem a oportunidade de proliferar, com a anuência das redes, discursos de violência contra as mulheres. É por isso que precisamos, de uma vez por todas, criminalizar o ódio às mulheres, como estamos propondo no PL da Misoginia. Não podemos permitir que esses covardes sigam impunes.”