GUERRA NA UCRÂNIA

G7 amplia pressão sobre Moscou, e Trump admite retomar sanções à Rússia

Em cúpula na França, líderes aliados receberam Volodmir Zelenski e discutiram novas medidas contra a Rússia

Por Estadao Conteudo Publicado em 16/06/2026 às 17:11
© ANSA/EPA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira, 16, que fará o possível para tentar encerrar a guerra na Ucrânia. A declaração ocorreu após os aliados do G7 acertarem, durante cúpula na França, o aumento da pressão sobre a Rússia.

Ao chegar a Evian, aos pés dos Alpes franceses, Trump disse, na véspera, que pretendia "fazer algo" em relação ao conflito na Ucrânia, que já dura mais de quatro anos, depois de alcançar um memorando de entendimento com o Irã para encerrar o conflito no Oriente Médio.

Os líderes de Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido concordaram em ampliar a pressão sobre a Rússia. A reunião contou com a presença do presidente ucraniano, Volodmir Zelenski, que mostrou imagens do ataque russo que incendiou, na véspera, uma catedral histórica em Kiev.

O chefe de Estado alemão, Friedrich Merz, afirmou sentir "certo otimismo" de que europeus e americanos possam "pôr um fim à guerra juntos". Ele também disse ter visto Trump "receptivo e disposto a cooperar".

O presidente americano tem evitado apontar um país como culpado pelo conflito e costuma colocar Kiev e Moscou no mesmo nível de responsabilidade.

Trump declarou que as sanções contra a Rússia, atenuadas durante a guerra com o Irã para ajudar a reduzir os preços do petróleo, podem voltar a ser aplicadas à medida que mais petróleo passa pelo Estreito de Ormuz.

"Em breve poderemos fazer isso porque o petróleo já está fluindo", disse Trump a repórteres. "Estamos em condições de fazer isso em breve."

Em março, os Estados Unidos aliviaram temporariamente algumas sanções relacionadas a determinados carregamentos de petróleo russo por causa da forte alta nos preços do petróleo bruto. A isenção foi prorrogada.

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, e o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, anunciaram novas sanções contra a chamada "frota fantasma", usada pela Rússia para transportar petróleo e outras mercadorias apesar das sanções ocidentais.

"É fantástico que todo mundo entenda que a Rússia não vai ganhar e que devemos pressionar (Vladimir) Putin para que ponha fim a esta guerra", reagiu Zelenski. O presidente francês, Emmanuel Macron, anfitrião da cúpula, convidou o líder ucraniano a permanecer no encontro até o fim, na quarta-feira, 17.

"A Rússia deveria alcançar um acordo" com a Ucrânia, afirmou Trump à imprensa no segundo dia da cúpula. "A única razão pela qual me meto nisso é que não gosto de ver 25 mil jovens morrerem a cada mês (...) Admitam que tudo isso é ridículo. Então, sim, farei tudo o que puder" para encerrar o conflito, acrescentou.

As negociações de paz mediadas pelos Estados Unidos estavam totalmente paralisadas desde o início do conflito no Oriente Médio, em 28 de fevereiro. Trump se reuniu por cerca de 20 minutos, em caráter privado, com o presidente ucraniano e deveria voltar a encontrá-lo à tarde. O último encontro entre os dois havia ocorrido em 28 de dezembro, na residência de Trump em Mar-a-Lago, na Flórida.

Segundo um participante do encontro, o presidente americano parabenizou Zelenski pelo "desempenho" do exército ucraniano no terreno e reconheceu que a "dinâmica" era ucraniana.

Desde o início do conflito, em fevereiro de 2022, a Ucrânia passou por uma mudança estratégica ao se tornar um ator-chave da indústria de defesa, especialmente por causa da produção de drones. Mesmo assim, o país segue necessitando do apoio ocidental.

Os líderes do G7 também devem apoiar Kiev "proporcionando à Ucrânia meios de defesa antiaérea, meios para se proteger melhor, meios para consolidar (seus) avanços", segundo uma fonte diplomática francesa. O Reino Unido anunciou que fornecerá urânio enriquecido à Ucrânia para suas usinas nucleares.

Horas antes do início da cúpula, na segunda-feira, a Rússia lançou centenas de drones e dezenas de mísseis contra as maiores cidades da Ucrânia. O ataque matou 11 pessoas e incendiou um monumento religioso.

Os ataques ocorreram depois de Zelenski e Putin conversarem separadamente por telefone com Trump no domingo, 14, dia do 80º aniversário do líder americano.

Durante a campanha presidencial de 2024, na qual buscava retornar à Casa Branca, Trump afirmou que poderia encerrar a guerra entre Rússia e Ucrânia em 24 horas após assumir o cargo. No entanto, as negociações fracassaram, e Trump reconheceu que a tarefa se mostrou muito mais difícil do que imaginava.

A Ucrânia iniciou oficialmente na segunda-feira as negociações para adesão à União Europeia. O processo exigirá que o governo ucraniano se comprometa com anos de reformas políticas, mesmo enquanto enfrenta a invasão russa.

O país vê a entrada na União Europeia como uma garantia de segurança para um futuro estável após o fim da guerra. A melhor garantia, segundo o texto original, seria a adesão à aliança militar da Otan, mas o governo Trump insiste que isso não pode acontecer, enquanto outros temem a adesão ucraniana enquanto a guerra continuar.

*Com informações de agências internacionais.