G7 amplia presença do Sul Global em cúpulas recentes
Países como Índia, Indonésia, Senegal e Brasil foram chamados para debates sobre clima, energia, segurança alimentar e desenvolvimento
Com a redução do peso demográfico e econômico de seus integrantes, o G7 tem recorrido a lideranças do Sul Global para discutir temas centrais da agenda internacional.
A relevância do grupo passou a ser questionada diante da perda de participação de seus membros e da ascensão de potências médias do Sul Global. Em 2025, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendeu o retorno da Rússia ao formato, com a retomada do G8, e deixou a cúpula anual, realizada no Canadá, no segundo dia, antes do encerramento.
Em busca de manter espaço nas discussões globais, o G7 vem ampliando convites a representantes do Sul Global, principalmente de países ligados ao BRICS, bloco em expansão que reúne um contingente populacional, econômico e político mais representativo.
Diferentemente do que ocorre no BRICS ou no G20, os países do Sul Global não têm assento permanente nem poder formal de decisão no G7. A participação acontece, principalmente, quando são convidados pelos anfitriões das cúpulas.
Na última década, esses convites se tornaram mais frequentes porque desafios globais como clima, energia, segurança alimentar e desenvolvimento dependem diretamente da participação de grandes economias do Sul Global.
A presença desses países tem contribuído para debates sobre financiamento climático, adaptação às mudanças climáticas, transição energética justa e desenvolvimento sustentável. A Sputnik Brasil reuniu ocasiões em que o G7 contou com participações de países do Sul Global para tratar de temas relevantes no cenário geopolítico atual.
Índia
A Índia foi convidada para várias reuniões recentes do G7, incluindo as realizadas no Reino Unido, em 2021, na Alemanha, em 2022, e no Japão, em 2023. As participações envolveram segurança alimentar, cadeias globais de suprimentos, energia limpa, tecnologia digital e necessidades dos países em desenvolvimento.
Indonésia
Em 2022, a Indonésia participou da cúpula do G7 na Alemanha em discussões sobre recuperação econômica pós-pandemia e cooperação entre economias desenvolvidas e emergentes. Como então presidente do G20, o país teve papel importante na articulação entre diferentes blocos.
Senegal
Também na cúpula de 2022, o Senegal participou dos debates sobre segurança alimentar global, especialmente em razão dos impactos do conflito ucraniano sobre os preços de alimentos e fertilizantes em países africanos.
União Africana
Em 2024, líderes africanos e representantes da União Africana foram convidados a participar da cúpula do G7 realizada na Itália. As discussões envolveram desenvolvimento econômico, infraestrutura, migração, energia e segurança alimentar. A participação foi considerada uma tentativa de incorporar mais perspectivas do Sul Global às discussões do grupo.
Brasil
O Brasil foi convidado para algumas reuniões ampliadas do G7, especialmente para tratar de preservação ambiental, mudanças climáticas, proteção de florestas tropicais, segurança alimentar e transição energética. Na cúpula de Hiroshima, no Japão, em 2023, o país participou de discussões sobre governança global e desenvolvimento sustentável.
Por Sputnik Brasil