ECONOMIA

Fitch mantém rating do Brasil em 'BB' e aponta risco fiscal

Agência cita economia diversificada e reservas elevadas, mas vê dívida pública, déficits e incerteza fiscal como limitações

Por Estadao Conteudo Publicado em 16/06/2026 às 16:24
Fitch Reprodução

A agência de classificação de risco Fitch manteve a nota de crédito do Brasil em 'BB', com perspectiva estável. A avaliação indica que, no momento, a agência não identifica fatores predominantes para uma alteração da nota no curto prazo, embora reconheça pontos fortes do crédito brasileiro e limitações estruturais que impedem uma elevação.

Em nota, a Fitch afirmou que o rating do Brasil é sustentado por uma economia grande e diversificada, com capacidade de absorção de choques. A agência destacou ainda o nível elevado das reservas internacionais, o financiamento do déficit em conta corrente pelo investimento estrangeiro direto e uma posição comparativamente melhor do governo brasileiro em relação a países semelhantes nesse aspecto.

Também pesam a favor da nota brasileira a taxa de câmbio flutuante, a profundidade dos mercados domésticos, a baixa participação da dívida em moeda estrangeira — o que reduz riscos de crise cambial e de rolagem —, além da gestão de passivos e dos colchões de caixa pelo Tesouro, fatores que mitigam riscos de curto prazo apesar do endividamento elevado.

Por outro lado, a Fitch apontou que o rating do Brasil segue limitado pela dívida pública alta e em trajetória de crescimento, saindo de 78,6% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025 para mais de 80% em 2026, e pelos déficits fiscais elevados, impulsionados pelas despesas com juros.

Segundo a agência, o déficit nominal do governo brasileiro deve encerrar este ano em 8,6% do PIB, patamar bem acima da mediana observada entre países com rating 'BB', de 3,5%.

A rigidez orçamentária e o baixo crescimento potencial da economia também restringem a avaliação do Brasil. "A incerteza fiscal segue como um grande risco macroeconômico, e as perspectivas para reformas estruturais para abordar os desequilíbrios provavelmente ficarão mais claras somente depois das eleições", afirmou a Fitch.

A nota do Brasil pode subir caso haja uma consolidação fiscal capaz de estabilizar, de forma duradoura, a relação dívida/PIB próxima dos níveis atuais, além de melhora nas perspectivas de crescimento econômico. Um rebaixamento, porém, pode ocorrer se o governo não conseguir implementar medidas que reforcem a credibilidade da política fiscal e a sustentabilidade da dívida no médio prazo.

Efeito da eleição presidencial no Brasil

A Fitch também afirmou que espera uma disputa "apertada" na eleição presidencial de outubro entre os dois principais candidatos: o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. A agência descreve o ambiente político como polarizado.

De acordo com a Fitch, as diferenças entre os candidatos são relevantes para o perfil de crédito do Brasil porque a política econômica e fiscal — incluindo a escala e a qualidade do ajuste esperado — deve variar conforme o resultado da eleição.

Em um cenário de vitória de Lula, a agência avalia que haveria continuidade de políticas, com gasto social, tributação mais progressiva e possível apetite limitado por reformas de despesa.

No caso de vitória de Flávio Bolsonaro, a Fitch afirma que o governo tenderia a buscar um programa considerado mais amigável ao mercado, centrado em cortes de impostos, eficiência do gasto e privatizações. A agência, no entanto, ressalta que a implementação dessas políticas seria "altamente incerta".