Acordo com EUA pode liberar exportações de petróleo do Irã, diz jornal
Memorando de entendimento deve ser assinado na Suíça em 19 de junho, com previsão de suspensão de sanções ao setor energético iraniano.
O Irã poderá retomar a exportação de petróleo e combustíveis imediatamente após a assinatura de um memorando de entendimento com os Estados Unidos, prevista para esta semana, informou nesta terça-feira (16) o Wall Street Journal.
Mais cedo, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Suíça, Nicolas Bideau, disse à Sputnik que a assinatura do documento está prevista para a próxima sexta-feira (19), no resort de Bürgenstock, na Suíça.
De acordo com o jornal norte-americano, Washington permitirá que Teerã volte a vender petróleo e derivados como parte do acordo para encerrar o conflito. A medida funcionaria como incentivo financeiro para acelerar a implementação da trégua.
Fontes ouvidas pela publicação afirmaram que a suspensão das sanções que restringem as exportações iranianas entrará em vigor assim que o memorando for assinado. A flexibilização também deverá alcançar serviços ligados à comercialização do petróleo, como transporte, seguros e operações bancárias.
Irã e Estados Unidos confirmaram no início da semana a conclusão das negociações do memorando, que deverá ser formalmente assinado na Suíça em 19 de junho.
O acordo também deve contribuir para a reabertura do estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de petróleo. Até o momento, porém, Teerã não anunciou oficialmente a liberação total da passagem.
Após a divulgação do acordo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou o início da retirada do bloqueio naval imposto ao Irã. O governo iraniano confirmou que Washington começou a suspender as restrições.
Paquistão pode ser um dos principais beneficiados
A eventual flexibilização das sanções contra o Irã também pode gerar vantagens econômicas para o Paquistão, segundo Ahmed Rid, professor associado da Universidade Quaid-i-Azam, em entrevista à Sputnik.
Segundo o especialista, a proximidade geográfica entre os dois países permitiria ao Paquistão acessar fontes de energia mais baratas, incluindo gás natural, petróleo bruto, derivados refinados e eletricidade para regiões de fronteira.
Rid afirmou ainda que a redução dos custos das importações energéticas poderia diminuir despesas com transporte, reforçar a segurança energética paquistanesa e melhorar o balanço de pagamentos do país.
O especialista avalia que uma eventual integração do Irã ao Corredor Econômico China-Paquistão (CPEC) fortaleceria a conectividade regional, ligando o Sul da Ásia, o Oriente Médio e a Ásia Central por meio do território paquistanês. A medida ajudaria a diversificar rotas comerciais e reduzir a dependência de corredores que passam pelo Afeganistão.
Outro projeto que poderia avançar é o gasoduto Irã-Paquistão. Para Ahmed Rid, as sanções internacionais têm sido o principal obstáculo à iniciativa, que se tornaria mais viável caso as restrições econômicas sejam suspensas.
Por Sputnik Brasil