Zimerman defende Pix e diz que Brasil não deve ser punido pelo sistema
Em evento do grupo Lide, empresário também citou juros altos, regulação, bets e endividamento como desafios ao empreendedorismo
Empresários reunidos nesta terça-feira (16), em evento do grupo Lide, alertaram para um ambiente macroeconômico desfavorável ao empreendedorismo no Brasil e defenderam a soberania do país sobre sistemas financeiros nacionais, como o Pix.
Sérgio Zimerman, empresário e presidente do grupo Petz Cobasi, uma das maiores redes de produtos para animais do país, afirmou que, apesar dos obstáculos, as barreiras estruturais do mercado brasileiro também acabam reduzindo a concorrência.
"O fato de ter tantas barreiras, problemas trabalhistas, problemas regulatórios, dificuldades de juros altos, também ajuda a diminuir a competição", disse Zimerman.
O empresário também defendeu o Pix ao responder questionamento da Sputnik Brasil sobre a soberania brasileira em sistemas de pagamento. Para Zimerman, o sistema instantâneo criado pelo Banco Central (Bacen) é uma inovação que democratizou o acesso financeiro sem depender de intermediação privada.
"O Pix é uma invenção brasileira, democratizou o meio de pagamento sem passar por uma intermediação financeira. O Brasil não pode, não deve ser punido por isso", declarou. "Se a gente tem um mecanismo de transação que consegue passar à margem do sistema financeiro, vamos permitir isso", completou.
O governo dos Estados Unidos classificou o Pix como uma prática comercial desleal. Entre os principais pontos citados em relatórios do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês) estão a alegação de conflito de interesses por parte do Bacen e prejuízos a empresas estadunidenses que atuam com serviços de transferência.
A Casa Branca propôs tarifas de 25% sobre produtos brasileiros como resposta ao que considera restrições ao comércio digital.
Dificuldades
Zimerman afirmou que o Brasil combina alta taxa de empreendedorismo com elevada mortalidade de empresas. Ele recomendou que quem pretende abrir um negócio tenha clareza sobre a natureza da atividade.
Questionado sobre o papel das novas tecnologias no cenário empreendedor, o empresário reconheceu avanços, mas fez uma ressalva sobre os limites da inteligência artificial. "Não são as respostas, mas as perguntas que você tem que saber fazer", afirmou.
Ele também criticou o cenário macroeconômico atual, destacando o Brasil como detentor da segunda maior taxa de juros reais do mundo, e apontou a proliferação das casas de apostas esportivas como fator de erosão da renda das famílias.
"A associação de bets sem educação financeira leva a renda disponível de uma massa enorme de consumidores, prejudicando o varejo e os serviços", disse. "O mesmo vale para o empréstimo consignado: a intenção do legislador pode ser boa, mas sem educação financeira as pessoas se endividam e não têm salário para receber no fim do mês."
Por Sputnik Brasil