Casa do Autista de Maceió amplia suporte emocional a familiares
Rodas de conversa, atendimentos psicológicos e ações psicoeducativas integram o cuidado oferecido a pais e responsáveis
A Casa do Autista de Maceió tem promovido rodas de conversa e momentos de acolhimento para pais, mães e responsáveis por crianças e adolescentes acompanhados na unidade. A iniciativa busca oferecer espaço de escuta, orientação e troca de experiências a famílias que convivem diariamente com os desafios relacionados ao Transtorno do Espectro Autista (TEA).
A ação integra a proposta de cuidado integral da instituição, que considera o fortalecimento familiar um dos pilares para o desenvolvimento e a qualidade de vida da pessoa autista.
"Estamos aqui vivenciando um momento de partilha com os pais das crianças que são acompanhadas na Casa do Autista. Esse acompanhamento é muito importante porque promove o fortalecimento das famílias. Nós sabemos que muitos pais chegam aqui fragilizados, a partir do momento em que recebem o diagnóstico dos seus filhos e passam a vivenciar os desafios. Muitas vezes, esses pais não conseguem compartilhar os seus sofrimentos e as suas vivências. Então, esse espaço é voltado para esse compartilhamento, para esse fortalecimento entre famílias, para que a gente possa criar uma rede de apoio e dar o suporte emocional que esses pais necessitam para vivenciar os desafios diários com suas crianças", afirmou a psicóloga da Casa do Autista, Brenda Alves.
Entre os familiares que participam dos encontros, o acolhimento é apontado como apoio importante no enfrentamento das dificuldades do cotidiano. Ancieser Maria Solto Borges, moradora do bairro Cidade Universitária e avó de João Lucas Borges, de 10 anos, diagnosticado com microcefalia, autismo e TDAH, relatou a experiência.
"Esse momento foi maravilhoso, maravilhoso mesmo. Principalmente, porque eu preciso. Eu vivo sozinha com ele, então eu preciso de alguém para compartilhar o que eu sinto, e a psicóloga foi maravilhosa. É bom também porque eu vou aprender mais coisas com os outros pais. Então eu só posso dizer que foi mil maravilhas", contou.
A Casa do Autista é estruturada para oferecer atendimento especializado, interdisciplinar e humanizado a crianças e adolescentes com TEA. Além das terapias destinadas aos assistidos, a unidade mantém ações permanentes voltadas ao acolhimento e ao fortalecimento das famílias.
A diretora-geral da Casa do Autista, Fabiana Lisboa, destaca que o cuidado com os responsáveis faz parte do projeto terapêutico desenvolvido pela equipe multiprofissional.
"São ofertados atendimentos psicológicos individuais para pais e responsáveis, proporcionando escuta qualificada, acolhimento emocional, orientação parental e apoio diante dos desafios relacionados ao diagnóstico, às demandas do cotidiano e às diferentes etapas do desenvolvimento. Esses espaços favorecem a troca de experiências entre as famílias, ampliam o acesso à informação baseada em evidências, fortalecem as competências parentais e contribuem para a construção de uma rede de apoio mais preparada para enfrentar os desafios e celebrar as conquistas relacionadas ao desenvolvimento de crianças e adolescentes autistas", detalhou.
A instituição também realiza grupos terapêuticos, oficinas, encontros psicoeducativos e rodas de conversa conduzidos por diferentes profissionais da equipe multiprofissional. Os temas tratados incluem desenvolvimento infantil, comunicação, comportamento, autonomia, inclusão escolar, seletividade alimentar, saúde mental dos cuidadores, direitos da pessoa com autismo, acesso à rede de serviços e fortalecimento dos vínculos familiares.
Para a diretora-presidente do Maceió Saúde, Camila Porciuncula, o acolhimento às famílias reforça o compromisso da organização com uma assistência humanizada e voltada às necessidades da população.
"Quando falamos em cuidado integral, precisamos olhar também para quem está ao lado da criança todos os dias. Pais, mães, avós e responsáveis precisam ser acolhidos, orientados e fortalecidos para enfrentar os desafios que fazem parte dessa jornada. Esses momentos de escuta e troca promovidos pela Casa do Autista contribuem para reduzir o isolamento, ampliar o conhecimento e criar uma rede de apoio fundamental para o desenvolvimento das crianças e adolescentes atendidos", ressaltou.
Camila também afirmou que a experiência do Maceió Saúde na gestão de serviços públicos contribui para consolidar um modelo de assistência baseado em qualidade, eficiência e humanização.
"O trabalho desenvolvido à frente do Hospital da Cidade demonstrou que é possível aliar gestão eficiente e cuidado humanizado. Estamos levando essa mesma cultura organizacional para a Casa do Autista, investindo em equipes qualificadas, processos bem estruturados e, principalmente, em um atendimento que reconhece a singularidade de cada usuário e de cada família", acrescentou.
A Casa do Autista é administrada pelo Maceió Saúde, organização social sem fins lucrativos voltada à modernização e à eficiência na gestão das unidades municipais de saúde. A instituição atua com foco em boas práticas de governança e qualidade na assistência prestada à população de Maceió, sendo responsável por implantar processos que integram inovação, cuidado e gestão eficiente.
A unidade conta com equipe multiprofissional formada por médicos, psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, pedagogos, musicoterapeutas, nutricionistas, enfermeiros, assistentes sociais e educadores físicos. A proposta é ampliar o cuidado às crianças e adolescentes com TEA, reconhecendo que o acolhimento das famílias também contribui para a promoção de saúde, inclusão e qualidade de vida.
Como ter acesso
Para acessar os serviços, o primeiro passo é reunir a documentação necessária e apresentá-la ao Setor de Protocolo da Secretaria Municipal de Saúde, na Avenida Fernandes Lima, 2335, no bairro Farol, onde será aberto o processo. Entre os documentos exigidos estão RG, CPF, Cartão SUS, comprovante de residência e encaminhamento médico da criança ou adolescente, além dos documentos do responsável legal.
Após essa etapa, a equipe técnica do setor de Autismo da Secretaria realiza a análise e a regulação dos casos. A prioridade é para pessoas que ainda não estão inseridas na rede pública de saúde, como os Centros Especializados em Reabilitação (CER) ou serviços contratualizados, e que estão em fila de espera na Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência.
Depois da avaliação, os pacientes são encaminhados gradualmente para os serviços disponíveis, incluindo a própria Casa do Autista. Caso a demanda ultrapasse a capacidade de atendimento, os solicitantes permanecem em fila de espera, conforme critérios técnicos e de prioridade.