G7

Lula defende cooperação contra o narcotráfico com respeito à soberania

Em reunião do G7, presidente afirmou que o combate ao crime organizado deve incluir lavagem de dinheiro e tráfico de armas

Por Agência Brasil Publicado em 16/06/2026 às 15:10
Lula defendeu no G7 cooperação contra o narcotráfico com respeito à soberania dos Estados

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, nesta terça-feira (16), durante reunião do G7, que o enfrentamento ao narcotráfico seja conduzido de forma abrangente e com respeito à soberania dos Estados.

Em discurso no encontro das sete maiores economias do planeta, realizado na cidade francesa de Évian, Lula afirmou que temas como o combate a crimes transnacionais devem ser tratados de forma associada a uma agenda de desenvolvimento.

“O crime organizado aterroriza comunidades e desvia recursos públicos que deveriam ser direcionados para a construção de escolas, hospitais e estradas. Esse esforço deve levar em conta o respeito à soberania dos Estados”, disse.

O presidente também afirmou que o combate ao narcotráfico não pode ser separado de outros crimes, como lavagem de dinheiro e tráfico de armas. Ele defendeu o diálogo e a cooperação por meio da Interpol para a localização de ativos e indivíduos ligados a essas atividades criminosas.

A declaração reforça as preocupações com a soberania nacional após os Estados Unidos classificarem o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como narcoterroristas, o que possibilitaria, segundo a legislação dos EUA, uma eventual interferência sobre o Brasil.

Minerais críticos e IA

Lula voltou a defender que países detentores de minerais críticos tenham benefícios econômicos em processos que vão além da simples extração desses materiais.

“Devem participar [também] das etapas de maior valor agregado da cadeia, por meio da industrialização, da transferência de tecnologia e da formação de capacidades, conforme suas necessidades nacionais”, afirmou, ao alertar que a revolução digital e a inteligência artificial não podem ampliar desigualdades.

Outro desafio citado pelo presidente foi a necessidade de estabelecer parcerias que viabilizem o desenvolvimento e o acesso a tecnologias de ponta, como a inteligência artificial, para um número maior de países.

“As transições energética e digital não podem reproduzir padrões históricos que concentram benefícios econômicos em poucos atores”, argumentou.