Em evento de irrigação, CNA destaca papel dos produtores rurais na segurança hídrica e alimentar
Brasília (16/06/2026) – Na abertura do 4º Workshop “Setor Agropecuário na Gestão dos Recursos Hídricos”, o vice-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Humberto Miranda, destacou o papel dos produtores rurais que, ao produzir com eficiência e responsabilidade, garantem a segurança alimentar e hídrica.
“Discutir água é discutir desenvolvimento, produção de alimentos, competitividade, sustentabilidade e futuro. Não existe segurança alimentar sem segurança hídrica. E não existe segurança hídrica sem produtores rurais capazes de produzir com eficiência, responsabilidade e resiliência”, ressaltou Miranda que também preside a Federação da Agricultura e Pecuária da Bahia (Faeb).
O workshop ocorreu na terça (16), em Brasília (DF), e foi promovido pela CNA e pelo Ministério da Integração Nacional e Desenvolvimento Regional (MIDR), como parte das comemorações do Dia da Agricultura Irrigada, celebrado na segunda (15).
O encontro reuniu especialistas e representantes do governo e setor privado para discutir soluções baseadas na natureza aplicadas à gestão hídrica no campo, com foco em temas como cooperação, desenvolvimento da irrigação, soluções climáticas e revitalização de bacias hidrográficas.
Na abertura, estiveram presentes representantes de entidades, associações, produtores rurais, integrantes do governo, setor produtivo, presidentes de Federações estaduais de agricultura e pecuária, diretores e técnicos do Sistema CNA/Senar.
Em seu discurso, Humberto Miranda, que representou na abertura o presidente da CNA, João Martins, falou da importância do evento como espaço de diálogo entre o setor produtivo e as instituições responsáveis pela gestão da água, gerando resultados concretos e contribuindo para o aperfeiçoamento dos processos de outorga, para a ampliação da disponibilidade de informações e para o fortalecimento das políticas públicas voltadas à irrigação.
“Hoje, avançamos mais um passo ao discutir um tema que se tornou central para o futuro da agropecuária: os eventos climáticos extremos e as estratégias para aumentar a capacidade de adaptação dos sistemas produtivos”, completou.
Humberto Miranda lembrou do papel fundamental da irrigação nesse processo, e trouxe dados para mostrar que, no mundo, apenas 20% das áreas cultivadas são irrigadas, mas elas respondem por cerca de 40% da produção agrícola global. “Isso demonstra que irrigar é produzir mais, com maior estabilidade e segurança”, reforçou.
Ainda em sua fala, ele acrescentou que o Brasil possui atualmente cerca de 8,2 milhões de hectares irrigados, mas com um dos maiores potenciais de expansão do planeta, combinando disponibilidade de água e terras agricultáveis.
“Transformar esse potencial em realidade exige planejamento, segurança jurídica, acesso à energia competitiva, crédito adequado e políticas públicas eficientes”, afirmou.
O vice-presidente da CNA afirmou também que a irrigação não deve ser vista apenas como uma ferramenta para aumentar a produtividade, mas como “uma estratégia de adaptação às mudanças climáticas”.
“Os produtores rurais convivem diariamente com secas prolongadas, chuvas intensas e maior imprevisibilidade dos ciclos produtivos. Os eventos extremos deixaram de ser exceção e passaram a fazer parte da realidade do campo”.
Segundo Miranda, a irrigação reduz vulnerabilidades, aumenta a segurança da produção e fortalece a resiliência da agropecuária brasileira. Ao mesmo tempo, acrescentou, “é importante destacar que o agro brasileiro não é apenas parte dos desafios climáticos. Ele também faz parte das soluções”.
Miranda destacou, ainda, que a agricultura irrigada, o plantio direto, a recuperação de áreas degradadas, a conservação do solo e da água e a proteção de nascentes demonstram que é possível produzir mais, preservar recursos naturais e fortalecer a resiliência dos territórios rurais.
“É justamente nessa convergência que ganham relevância as soluções baseadas na natureza, tema central deste workshop. Quando utilizamos a água de forma eficiente, estamos fortalecendo serviços ecossistêmicos essenciais para a produção agropecuária e para toda a sociedade”.
A CNA defende, disse, uma agenda capaz de combinar expansão produtiva, segurança hídrica e sustentabilidade, “sem falsas oposições entre produção e conservação”.
Ao encerrar o discurso, Miranda reafirmou que a irrigação é uma solução ambiental para promover o uso eficiente dos recursos naturais, uma solução climática, porque aumenta a capacidade de adaptação diante dos eventos extremos, e uma solução econômica, por gerar produtividade, renda, emprego e desenvolvimento regional.
E enalteceu o trabalho dos produtores rurais como verdadeiros protagonistas desse processo e que, diariamente, transformam desafios em produção, inovação e desenvolvimento”. “Não existe segurança alimentar sem segurança hídrica. E não existe segurança hídrica sem o produtor rural”, concluiu.
Fortalecimento do debate - Também na abertura, o secretário nacional de Segurança Hídrica do MIDR, Giuseppe Serra Seca Vieira, falou sobre as ações do órgão para a irrigação e para a segurança hídrica. Ele destacou a importância de fortalecer a participação do setor produtivo no debate, reunindo em um mesmo espaço produtores, entidades representativas, órgãos públicos, pesquisadores e interessados no tema.
Desta forma, ele enfatizou que o Workshop mostra os avanços do setor nos últimos anos, em uma “busca permanente por maior eficiência, pela adoção de novas tecnologias e pela utilização cada vez mais racional dos recursos hídricos”.
“Quando discutimos irrigação, não estamos tratando apenas de produção agrícola. Estamos falando de eficiência no uso dos recursos hídricos, de soluções baseadas na natureza, de revitalização de bacias hidrográficas e de estratégias para garantir a disponibilidade de água diante dos desafios atuais”.
O superintendente de Regulação de Usos de Recursos Hídricos da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Marco José Melo Neves, também participou da abertura do evento e destacou a modernização da agricultura irrigada brasileira.
“A agricultura irrigada está tecnificada, eficiente e sustentável. E eu digo que essa agricultura do futuro, que já está acontecendo agora, ela é resiliente, ela é mais bem informada e é ambientalmente sustentável”.
O coordenador-geral De Irrigação e Drenagem do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Gustavo Goretti, enfatizou a importância de eventos como o Workshop sobre um tema tão importante como a agricultura irrigada.
Segundo ele, “discussões como essas são importantes para construir pontes para se avançar em um crescimento mais sustentável e rápido da agricultura irrigada”.