CRIME ORGANIZADO

Polícia mira Tren de Aragua em operação contra tráfico, armas e lavagem

Ação Rota do Norte cumpriu mandados em Roraima, Amazonas, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná

Por Estadao Conteudo Publicado em 16/06/2026 às 14:17
Polícia mira Tren de Aragua em operação contra tráfico, armas e lavagem Nano Banana (Google Imagen)

A Polícia Civil do Estado de Roraima deflagrou nesta terça-feira, 16, uma operação contra a Tren de Aragua, facção criminosa transnacional da Venezuela com atuação no Norte do Brasil.

De acordo com a polícia, a ação tem como objetivo desarticular os braços operacional e financeiro da organização, apontada como uma das mais perigosas em atividade na América Latina. A intenção das autoridades brasileiras também é impedir o fortalecimento e a expansão da facção em Roraima e em outros Estados.

Segundo as autoridades, o grupo venezuelano fornece armamento de guerra, como metralhadoras calibre .50 e lança-granadas, para organizações criminosas brasileiras, entre elas o Comando Vermelho (CV). O esquema abastece grupos do CV no Amazonas e no Rio de Janeiro.

Batizada de Rota do Norte, a operação foi realizada em Roraima, Amazonas, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná. Ao todo, foram cumpridos 25 mandados de prisão preventiva e mais de 30 mandados de busca e apreensão contra investigados por envolvimento com tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e comércio ilegal de armas.

A investigação é conduzida pela Delegacia de Repressão às Organizações Criminosas Organizadas (Draco), com apoio da Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento das Organizações Criminosas (Renorcrim) e do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).

Atuação de facções no Norte do País

Como mostrou o Estadão, no ano passado, mais de um quarto das cidades da Amazônia Legal eram dominadas pelo Comando Vermelho. A Região Norte é considerada estratégica pela possibilidade de importar rapidamente cargas de cocaína e skunk de países vizinhos, como Peru e Colômbia, além de permitir que as mesmas rotas sejam usadas em crimes como o garimpo ilegal, fenômeno conhecido como “narcogarimpo”.

Segundo o levantamento Cartografias da Violência na Amazônia, elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em parceria com entidades como os institutos Mãe Crioula e Clima e Sociedade, 17 facções atuam na Amazônia Legal.

Além do CV e do Primeiro Comando da Capital (PCC), grupos do Nordeste, como o Bonde do Maluco (BDM), da Bahia, e os Guardiões do Estado (GDE), do Ceará, também atuam na região.

A lista inclui ainda três organizações estrangeiras: o Estado Maior Central (EMC) e a Ex-Farc Acácio Medina, da Colômbia, além do Tren de Aragua, da Venezuela.

“A expansão das facções criminosas constitui um dos principais desafios à segurança pública, à governança territorial e à soberania nacional na Amazônia. Observa-se, nos últimos anos, um processo de interiorização e diversificação das dinâmicas criminais, com a consolidação de rotas estratégicas para o tráfico de drogas, armas, minérios e madeira, conectando a região aos mercados nacional e internacional”, diz trecho do estudo.

Tren de Aragua

A facção criminosa Tren de Aragua surgiu em 2014 na prisão de Tocorón, no Estado de Aragua, na região Centro-Norte da Venezuela. Atualmente, o grupo atua em países como Colômbia, Bolívia, Peru e Chile.

Entre os crimes atribuídos à organização estão sequestro, extorsão, mineração ilegal e tráfico de drogas e de pessoas.

No ano passado, os Estados Unidos classificaram o grupo como organização terrorista estrangeira. A mesma designação foi aplicada ao PCC e ao Comando Vermelho no mês passado.

Os EUA também acusam a organização venezuelana de ter mantido vínculos com o governo de Nicolás Maduro, que atualmente aguarda julgamento na Justiça americana por narcoterrorismo, tráfico de drogas e porte ilegal de armas.

Na sexta-feira passada, 12, em uma operação militar americana em coordenação com as autoridades da Venezuela, o chefe do Tren de Aragua, Niño Guerrero, foi morto.

Após a operação, um alto funcionário do Pentágono afirmou que a morte do líder da quadrilha “envia uma mensagem clara à América Latina” sobre o compromisso do governo do presidente Donald Trump de combater o narcotráfico.